Saúde Integral

22/06/2016 08h00

O que fazer para que as crianças comam verduras?

Para conseguir que os filhos se alimentem bem, muitas vezes são necessários artifícios que estimulem seu desejo, como a apresentação e a mescla de sabores, por exemplo.

Por Nosso Bem Estar

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A introdução de hábitos alimentares saudáveis nessa etapa da vida é essencial e será uma herança das mais importantes que deixaremos para nossos filhos.

As verduras são alimentos indispensáveis para um correto equilíbrio nutricional ao longo do ciclo vital, pois aportam minerais, vitaminas e fibras. Portanto, é aconselhável consumir um mínimo de duas porções diárias, uma delas crua.

Mas muitas pessoas não obedecem a essa recomendação por causas diversas: hábitos, paladar, tempo... E um grupo particularmente se destaca por rechaçar esses alimentos, o das crianças. Neste caso o sabor é o fator determinante na resistência ao seu consumo, e como este é um período da vida em que as percepções imediatas imperam sobre a racionalidade, é evidente que estamos diante de um problema.

A introdução de hábitos alimentares saudáveis nessa etapa da vida é essencial e será uma herança das mais importantes que deixaremos para nossos filhos.

O QUE DEVEMOS FAZER

Uma boa maneira de tentar que as crianças comam verduras é brincar, por exemplo, com os sabores, as cores e as formas, melhorando assim as características sensoriais desses alimentos. Vejamos alguns exemplos práticos:

– Potencializar os sabores: pode-se acrescentar na salada alimentos de que elas gostem, como cubos de queijo ou frutos secos, como passas, por exemplo. Outra sugestão é gratinar os espinafres com molho bechamel ou preparar purês cujo sabor final seja suave e ligeiramente doce.

As empanadas, as crepes, os canelones, os croquetes e os pastéis e tortilhas são também formas excelentes e saborosas de oferecer as verduras. Hoje existe uma grande gama de molhos para saladas, com sabores muito diferentes e atrativos, que servem para agregar atração ao paladar.

– Cuidar da apresentação: a forma de apresentar a comida é tão importante que um mesmo prato pode nos dar água na boca ou causar aversão. Assim, com imaginação, podemos conseguir que um prato de salada se converta numa cara de palhaço ou numa paisagem. Brincando com as cores e as texturas é possível elaborar pratos de excelentes aparências.

– As melhores partes: também não se deve dar às crianças as folhas externas de algumas verduras – já que, ainda que tenham mais ingredientes, são as que têm um sabor mais forte –, nem as partes mais duras das hortaliças. É melhor ir introduzindo pouco a pouco as verduras na sua alimentação, em função de suas capacidades dentais e mastigatórias.

Mas deve-se valorar, de qualquer maneira, a qualidade, dando preferência às verduras frescas, de cultivo biológico e da época. Sem esquecer o que é básico na cozinha: a imaginação. Com ela a rotina e os deveres podem converter-se em surpresas e desejos, uma mudança realmente fundamental para a criação de hábitos alimentares que poderão permanecer por toda a vida.

 

9 perguntas e suas respostas

 

1 - Existem verduras mais aconselháveis que outras do ponto de vista nutricional?

Não. Os conteúdos em nutrientes das hortaliças são desiguais, já que em algumas se destaca um nutriente, em outras, outro, e em algumas, nenhum. Sem dúvida, o conselho de ouro para um bom consumo é a variedade, insistindo nas que podem ser consumidas cruas – como as cenouras e os tomates, por exemplo, já que assim sofrem menos processamentos e conseguem conservar maior quantidade de nutrientes. Importante que sejam de procedência orgânica, para evitar a ingestão de agrotóxicos.

2 - O que fazer para que as crianças comam?

Existem diferentes ações possíveis, como cortá-las em pedacinhos bem pequenos ou ralá-las. Também podemos prepará-las na forma de sucos ou purês, operações que devem realizar-se imediatamente antes do consumo. Utilizar frutas, como laranjas e maçãs, por exemplo, é um ótimo recurso. O consumo imediato é fundamental para preservar os nutrientes.

3 - Existe uma sequência ideal para oferecê-las?

Teoricamente o melhor é sempre oferecer hortaliças quando as crianças estiverem com fome, o que facilitará a aceitação. Mas em muitas ocasiões o mais inteligente é fazê-las comer tais alimentos com outros pratos que são de seu agrado.

 4 – As verduras podem ser substituídas se houver aumento do consumo de frutas?

Não, já que as frutas têm em geral mais açúcares e menos micronutrientes que as verduras, ainda que os dois grupos tenham composição parecida. Por isso é interessante ingerir ambos, diariamente.

 5 - Os sucos são um recurso que funciona?

Ainda que os sucos sejam uma excelente forma de consumir hortaliças, não devem converter-se na única, já que a ingestão com a mastigação é fundamental. Mas em caso de aversão sistemática, é um recurso de grande valor.

6 – Pode-se compensar a ausência de verduras com o uso de suplementos?

Não. Os suplementos devem ser reservados unicamente para casos em que existam verdadeiras dificuldades de se conseguir todos os nutrientes que se obtém com os alimentos.

7- Há diferenças entre meninos e meninas na hora de comer verduras?

No princípio da puberdade diversas influências podem fazer com que as meninas prefiram as verduras. Durante a infância o sexo não é um fator decisivo.

8 - São oferecidas opções com vegetais nas merendas escolares?

Ainda que teoricamente haja nutricionistas na formulação das merendas, o que se constata é uma oferta generalizada de fast-foods e guloseimas hipercalóricas nas merendas e cantinas das escolas. Em algumas cidades tal prática já foi proibida, mas várias escolas ainda não cuidam dessa educação – alimentar – tão fundamental.

9 - É importante que os pais deem o exemplo?

Sim, mais do que se possa imaginar. O fato de os pais comerem verdura não dá garantias de que os filhos também passem a fazer isso, mas se eles dão pouca importância a esse tipo de alimento será muito difícil que os filhos o valorizem. Muitos pais optam por recompensar os filhos quando comem verduras, mas convém refletir sobre o alcance e oportunidade desse tipo de comportamento. A melhor recompensa é a saúde.

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