Crescimento pessoal

10/03/2016 08h56

O que torna você feliz?

Se você está pensando em várias respostas para esta questão é porque sua mente consegue fazer diferentes reflexões sobre o que lhe traz felicidade. Ou não.

Por Vera Mari Damian

Arquivo Nosso Bem Estar
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“Ser feliz pode ser uma questão de treino”, anunciam os cientistas e garantem que a plasticidade neuronal possibilita a transformação de nossas vidas num período de poucos meses.

As reflexões surgem a partir das conexões cerebrais que criamos em nosso cérebro, mas que nem sempre são nossas aliadas para uma vida feliz.

A boa notícia é que estudos científicos estão provando que as conexões cerebrais podem ser transformadas. Segundo eles, a plasticidade neuronal é tão grande que alguns neurônios podem chegar a assumir funções de outras regiões do cérebro que tenham sido danificadas, ou adotar novas conexões para criarem novos padrões.

 “Ser feliz pode ser uma questão de treino”, anunciam os cientistas e garantem que a plasticidade neuronal possibilita a transformação de nossas vidas num período de poucos meses. De preferência no sentido de uma vida mais feliz.  

O estudo científico da felicidade ganhou nome: Ciência Hedônica, ou Ciência da Felicidade. Uma das maiores difusoras da Ciência da Felicidade é a norte-americana Susan Andrews, considerada pelo rei do Butão, a embaixadora do FIB no Brasil. 

 Psicóloga, antropóloga e doutora em Psicologia Transpessoal pela Universidade de Greenwich (EUA), Susan adotou nosso país como pátria e coordena no interior de São Paulo o Parque Ecológico Visão Futuro – IVF (www.visaofuturo.org.br), uma comunidade com base numa visão humanista de máxima utilização dos recursos, cooperação e equilíbrio com a natureza. A Rede IVF BRASIL atua voluntariamente em mais de 60 cidades no Brasil na disseminação de metodologias práticas  a todos os interessados em ser mais felizes.  

De acordo com os estudos da Ciência da Felicidade, o sucesso material, por exemplo, pode trazer mais felicidade até o ponto de alcançar uma vida confortável ou até mesmo um certo grau de luxo.  A partir daí, o que importará para a felicidade serão os chamados “fatores não-materiais”, tais como companheirismo, famílias harmoniosas, relacionamentos amorosos e uma sensação de se viver uma vida significativa.

São estas ideias e pesquisas que Susan Andrews difunde em seu trabalho no Instituto Visão Futuro, em suas conferências já proferidas em mais de 40 países e nos livros que escreve , entre eles “A Ciência de Ser Feliz”.

Dia Mundial da Felicidade

Em 2012, a Organização das Nações Unidas –ONU - definiu a data de 20 de março como o Dia Mundial da Felicidade. Um dia para pessoas e nações meditarem sobre este tema e sua contribuição para a Paz.

A proposta veio do Butão, um pequeno país do Himalaia que adotou como índice de desenvolvimento a Felicidade Interna Bruta (FIB), utilizando uma série de parâmetros para medir a felicidade e o bem-estar de seus habitantes, tais como: padrão de vida, saúde, educação, cultura, vitalidade comunitária, uso equilibrado do tempo, ecologia, boa governança, e bem-estar psicológico.

Nos demais países, incluindo o Brasil, o desenvolvimento ainda é computado de acordo com o Produto Interno Bruto (PIB) cujo foco está no desempenho da Economia.

A Rede de jornais Nosso Bem Estar adotou o Dia Mundial da Felicidade como um dia especial para promovermos ideias e ações voltadas para a felicidade e bem-estar já que, deste sempre, elas estiveram presentes em nosso propósito de existência.

 

Cultivando a Felicidade*

Susan Andrews

O que aprendemos nessa jornada em busca da felicidade?

Que não podemos esperar que ela pouse em nós como uma borboleta.

De acordo com a psicóloga Sonja Lyubomirsky, “é preciso criar o hábito de instigar uma atividade de felicidade”, sistematicamente.

Conte suas bênçãos. Perdoe. Medite. Exercite-se. Relaxe. Sirva aos outros. Dedique-se a uma meta significativa, a um propósito além de você mesmo. E persista nisso, com esforço sincero e firme determinação.

Essas não são meramente orientações milenares de santos e sábios, mas de modernos cientistas – que, depois de testarem nossas moléculas de emoção e nossas ondas cerebrais, descobriram aquilo que realmente nos leva a um estado de bem-estar permanente. Descobertas recentes de neurologia, bioquímica e psicologia têm desvelado os fatores determinantes da verdadeira felicidade: agora fica por nossa conta acessar a paz o contentamento que são a nossa mais profunda essência.

Ninguém precisa ficar à mercê da herança genética, de pensamentos pessimistas ou circunstancias de vida  adversas. A promessa  da neuroplasticidade de reesculpir a paisagem do cérebro, do corpo e da mente nos assegura que, através de “hábitos de felicidade”, podemos nos libertar do fardo da negatividade que às vezes nos sufoca.

E esses insights científicos e hábitos práticos devem ser ensinados às crianças, à juventude.

Assim, as futuras gerações poderão se desenvolver com visão clara, respeito mútuo e espírito de servir ao outro – pois elas são as precursoras da nova sociedade harmoniosa tão ansiada por todos nós.

Talvez esta época de crise – quando o sonho americano está se metamorfoseando em pesadelo diante de nossos olhos e o sistema financeiro mundial está abalado – seja um toque de despertar. Talvez, na exuberância da recente expansão econômica, tenhamos perdido algo. Algo muito precioso. E agora podemos encontrar isso novamente.

Talvez nos lembremos de que o dinheiro existe para nos servir como ferramenta, e não para que nós o sirvamos, e assim o fantasmagórico fogo-fátuo do materialismo não mais nos iludirá.

 Então, poderemos emergir dessa crise global muito mais ricos, com a riqueza que realmente conta: comunidades harmoniosas, relacionamentos carinhosos, ecossistemas resilientes e um coração feliz.

As Pessoas Mais Felizes:

  • Devotam bastante tempo à família e aos amigos, cultivando e desfrutando desses relacionamentos.
  • Sentem regularmente gratidão pelas coisas boas da vida.
  • Frequentemente são as primeiras a “dar uma mão” para os outros.
  • Praticam o otimismo quando imaginam o futuro e evitam ficar se comparando com os outros.
  • Fazem diariamente exercícios físicos e mentais, como massagem, ioga, relaxamento e meditação, e dormem o suficiente.
  • Não contam com  mais dinheiro ou bens materiais para aumentar sua satisfação com a vida.
  • Expressam suas competências-chave e seus valores pessoais, esquecendo de si mesmos e dedicando-se a uma meta maior.

 

*Do livro A Ciência de Ser Feliz editora Ágora).

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