Saúde Integral

02/02/2016 09h14

O Omeprazol e a demência

A automedicação pode causar danos irreversíveis a sua saúde

Por Nosso Bem Estar

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Omeprazol

O omeprazol hoje é o segundo medicamento mais utilizado em todo o mundo, mas será que é um medicamento seguro?

Pessoas que sofrem de refluxo, esofagite, gastrite, úlceras duodenais, acidez estomacal e outros problemas do aparelho digestório, geralmente encontram no omeprazol um aliado para o alívio das dores e incômodos provocados pelas patologias.

O omeprazol hoje é o segundo medicamento mais utilizado em todo o mundo, mas será que é um medicamento seguro? Confira.

Como funciona o omeprazol?

O omeprazol é um medicamento inibidor da bomba de prótons e também um antagonista do receptor H2 da histamina, o que faz com que a produção de ácido gástrico diminua, melhorando as sensações de dores e incômodos gastrointestinais. Contudo, seu uso contínuo pode levar a deficiência de captação e absorção de vitamina B12, o que em longo prazo pode desencadear anemia e demência.

Estudos apontam riscos no consumo em longo prazo

Pesquisadores da Divisão de Pesquisas do Kaiser Permante Medical Center, em Oakland, EUA, avaliaram a associação de deficiência de vitamina B12 e o uso do medicamento omeprazol entre os anos de 1997 e 2011. Os resultados foram divulgados pelo The Journal of the American Medical Association (JAMA).

O estudo consistiu em avaliar a relação entre consumo contínuo (dois anos ou mais) de elevadas doses de omeprazol e a falta de vitamina B12 no organismo.

Foram feitas comparações entre dois grupos. O primeiro, com 25.956 pacientes que já possuíam diagnóstico de déficit de Vitamina B12 e o segundo, com 184.199 pessoas que não possuíam o transtorno. O estudo apontou que as pessoas que tomaram omeprazol e medicamentos similares durante grande espaço de tempo tinham 65% mais de chances de ter baixos níveis de vitamina B12, algo que não ocorreu com quem não fazia uso dos remédios.

Foi identificado, então, que há relação direta entre o consumo em longo prazo de omeprazol com a deficiência de vitamina B12, o que consequentemente pode levar ao desenvolvimento de graves patologias, como anemias, demências senis e doença de Alzheimer.

Automedicação é perigosa

O número de pessoas que se automedicam com omeprazol e outros medicamentos infelizmente é grande, e essa é uma prática comum. A sugestão de especialistas é que as pessoas que usam o remédio sem orientação diminuam a dose de uso pela metade. Isso poderia amenizar ou então prevenir o surgimento das patologias citadas.

Pacientes que utilizam por ordens médicas, a principio, não teriam com o que se preocupar, mas vale a pena questionar a dose que está tomando.

Revolução no mundo médico, porém com ressalvas

O surgimento do omeprazol foi uma revolução no tratamento de úlceras gástricas e problemas do trato digestório, e a notícia de que o uso prolongado do medicamento apresenta efeitos colaterais não surpreendeu os médicos.

De acordo com José Antonio Estévez, Presidente da Sessão de Medicina da Familia e da Academia de Ciências Médicas da cidade Bilbao, há cerca de 5 anos os profissionais da saúde já tinham conhecimento dos efeitos secundários do uso do omeprazol, contudo, por ser um medicamento de livre venda, é difícil fazer com que os pacientes façam um uso mais racional dele.

E você, já sabia dos riscos de se usar omeprazol em longo prazo? Tem o costume ou conhece alguém que faz uso desse medicamento cotidianamente? Deixe seu relato nos comentários. 

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