Crescimento pessoal

09/12/2015 08h21

Homens Sementes

Nós precisamos de um novo tipo de seres humanos. Nós precisamos de algo que não seja tão baseado no conflito, mas numa completa aceitação do ser humano total.

Por Dane Rudhyar

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É muito importante, portanto, que cada um aprenda como estabelecer a sua própria identidade. Nós precisamos de um novo tipo de seres humanos

Eu sinto que nós estamos no limiar de uma nova era e que o que nós precisamos agora, mais do que qualquer outra coisa, é de uma nova abordagem dos relacionamentos humanos e da organização social. Nós precisamos de uma abordagem planetária, uma visão sintética. Nós temos necessidade de algo que possibilite ao indivíduo compreender sua função própria no mundo, porque se vamos viver num mundo globalizado, é preciso que cada indivíduo construa para si uma identidade sólida que lhe dê os meios de cooperar com outras pessoas por todo mundo, independentemente de sua cultura, sua raça, sua tradição etc.

É muito importante, portanto, que cada um aprenda como estabelecer a sua própria identidade. Nós precisamos de um novo tipo de seres humanos. Nós precisamos de algo que não seja tão baseado no conflito, mas numa completa aceitação do ser humano total, corpo, mente, alma, sentimentos, tudo. Uma abordagem estética em contrapartida a uma abordagem ética, só então você poderá ver como tudo está relacionado dentro do todo, e começará a se identificar com a “totalidade” desse todo, e não apenas com alguma parte qualquer.

Claro, isso é agora uma situação muito difícil. Nós vivemos tempos difíceis, e o que está a nossa frente, não sei bem o que é. Eu sou antes um pessimista no que se refere ao futuro imediato, considerando o jeito que o mundo está caminhando no nosso presente. Mas é preciso entender que crises são necessárias para cumprir o que deve ser feito. O único problema, entretanto, é este: algo deve estar pronto antes de a grande crise começar – quando o novo ciclo começar –, para isso temos que começar na base dessas sementes que foram semeadas antes da crise. Se você tem um inverno seguido de uma primavera, mas não houve colheita, nenhuma semente germinará durante a primavera, e você terá que começar tudo bem do início, na época mais primitiva.

É por isso que, durante toda minha vida, reforcei a ideia que chamo: o “homem semente”. O homem que está disposto e apto a reunir nele mesmo, tal como foi, o passado da humanidade e particularmente, é claro, aquele do nosso mundo ocidental, mas também outras culturas, porque o que nós queremos que surja do futuro – depois de qualquer crise que venha – é um mundo global.

Nós precisamos, portanto, de homens de grande visão, homens que não são especialistas (generalistas como às vezes são chamados atualmente), homens que tenham a visão e a coragem para esperar e, de alguma forma, por meio de suas vidas, por meio de seu exemplo e do que quer que seja que eles deixem após sua morte, tornem-se sementes do futuro do mundo. Claro, isso é a melhor escolha que todos nós precisamos fazer e que todos podemos fazer. Nós podemos seguir a vibração da massa e cair, como todas as folhas do mundo caem no outono (por mais belas que essas folhas douradas possam ser). Elas precisarão deteriorar-se e tornar-se maduras para o futuro da civilização. Mas são somente os “homens semente” que verdadeiramente contam, e são esses que nós devemos seguir, se você, por você mesmo, não se sente ainda pronto para ser uma “pessoa semente”, porque é somente ela que pode assegurar o renascimento do futuro da humanidade. 

Acho, hoje em dia, ser inútil olhar para o futuro imediato, porque ele parece muito sombrio; mas olhar – preparar-se – para a possibilidade da chegada de um novo mundo, se não amanhã, então depois de amanhã. Creio ser essa a única coisa que faça valer todo nosso sacrifício, toda nossa coragem, decisões e escolhas de agora: para nos tornarmos sementes para o desenvolvimento do futuro do mundo.

Então, espero que cada um de vocês, cada um na sua própria vida, de sua própria maneira, possa em algum dia breve, muito breve – se não fez isso ainda – escolher e tornar-se um “homem semente” e uma “mulher semente”.

 

Dane Rudhyar, é filósofo, astrólogo, humanista e músico.

 

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