Planeta

07/09/2015 17h52

Quando todo mundo sai ganhando

Mais que uma relação comercial, a proposta da CSA − Comunidade que Sustenta a Agricultura − é estabelecer relações de confiança e parceria entre consumidores e produtores agroecológicos.

Por Nanda Barreto

Nanda Barreto
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A proposta da CSA − Comunidade que Sustenta a Agricultura − é estabelecer relações de confiança e parceria entre consumidores e produtores agroecológicos.

A oferta é diversificada: couve-flor, brócolis, frutas, arroz e batata são alguns dos itens que os consumidores associados à Comunidade que Sustenta a Agricultura, no Rio Grande do Sul, recebem a cada semana. “Trabalhamos com cerca de 50 variedades, sempre com produtos da época e o máximo respeito à natureza”, explica o agricultor Marivaldo Riva, 47.

Marival e sua família dedicam-se à produção biodinâmica de alimentos no assentamento Integração Gaúcha, de Eldorado do Sul, e integram a CSA há 5 meses. “Vamos indo bem. Hoje quase 50% da nossa venda é pra CSA”, celebra. Um dos principais diferenciais dessa proposta é o comprometimento mútuo entre agricultores e consumidores, que compartilham riscos e os benefícios da produção agrícola.

A relação vai além da compra e venda. “É uma proposta muito bonita, uma verdadeira troca. Já recebemos alguns consumidores aqui no assentamento para participar de plantios e colheitas”, conta Marivaldo, para quem a experiência da CSA contribui para o consumo consciente e sustentável.

Menos preço, mais apreço
O agricultor biodinâmico e educador Alexandre Batista, 40, atua como mediador entre os associados e os produtores da CSA gaúcha. “Hoje em dia estamos fornecendo principalmente alimentos para a merenda escolar, mas também entregamos cestas na feira ecológica do bairro Menino Deus, em Porto Alegre”, conta.

De acordo com Alexandre, a base da CSA é a economia associativa e colaborativa. “Nós precisamos nos alimentar e por isso necessitamos do agricultor. O agricultor planta e necessita que seus alimentos sejam consumidos. É só criar a ponte: um caminho para uma economia comunitária, associativa”, explica.

Na prática, funciona assim: um grupo de pessoas se liga a um produtor e recebe semanalmente seus alimentos. O produtor sabe para quem produz e quanto vai receber e os membros sabem de onde vêm os alimentos que vão para sua mesa. O custo total da produção é dividido entre os participantes. Dessa forma, todos saem ganhando, a família agricultora, que terá mercado garantido, e as famílias consumidoras, que adquirem produtos de qualidade a um preço acessível, já que não há atravessadores nessa relação.

“Os associados são, na verdade, coagricultores, que sabem de onde vem o alimento e que ele é produzido com amor. Além disso, evitamos o desperdício, os gastos indiretos com propaganda e embalagens. Outro diferencial é que produzimos a partir dos princípios da agricultura biodinâmica, considerando e respeitando as relações entre os diversos seres vivos presentes no ambiente de trabalho do agricultor”, salienta Alexandre.

A agricultura biodinâmica considera não apenas as forças físicas da natureza, mas também as forças cósmicas, relacionadas à lua, ao sol e aos planetas, que influenciam na prática agrícola.

Em rede
A CSA é um movimento internacional com mais de 30 núcleos espalhados pelo Brasil. No site da Associação (http://csabrasil.org/) é possível encontrar mais informações sobre como participar desse projeto e levar a ideia para a sua comunidade. A proposta foi trazida para o país pelo alemão Hermann Pohlmann, que já participava desse projeto em sua terra natal.

Uma característica marcante para os participantes da CSA, especialmente as crianças, é que há a possibilidade de conhecer de perto o dia a dia dos sítios e participar ativamente, nos dias de campo, plantando, colhendo e cuidando dos animais. A ideia é que os consumidores e os produtores criem juntos uma agri – cultura alimentar, compartilhando tanto as suas responsabilidades pela produção dos alimentos quanto pela conservação da paisagem e do solo.


 

 

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