Saúde Integral

30/06/2015 06h15

Causas e sintomas do AVC infantil

Acreditem, ele também atinge as crianças!

Por Laís Rodrigues Gerzson

IStock/NBE
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AVC infantil: desafio consiste em estabelecer diagnóstico e tratamento precoces

O AVC (acidente vascular cerebral), conhecido popularmente como “derrame”, é uma doença com altíssimo índice de ocorrência, e pode acarretar dificuldades como alterações motoras, visuais, da fala, bem como fraqueza muscular. Entretanto, o que a população desconhece é que o AVC também pode acometer crianças.

Existem dois tipos de AVC, o isquêmico e o hemorrágico. O isquêmico é mais comum, configurando-se quando há uma interrupção da passagem do fluxo sanguíneo para uma determinada área do cérebro. O hemorrágico, geralmente mais grave, caracteriza-se, além da obstrução, pela ocorrência de vazamento de sangue.

A sua incidência anual é de 2-13/100.000 crianças, sendo que em 60-75% dos casos é do tipo isquêmico e em 25-40% do tipo hemorrágico. Alguns estudos revelaram ainda que o AVC infantil é mais comum no sexo masculino, embora a explicação para esse fato não seja conhecida, como também nas crianças de raça negra, porque estas são mais suscetíveis à anemia falciforme.

Em países desenvolvidos, o AVC afeta cerca de 15 crianças a cada 100.000 habitantes/ano. No Brasil ainda não existem dados estatísticos, mas estima-se que a doença acometa 18 crianças a cada 100 mil habitantes/ano. A Secretaria da Saúde de São Paulo fez um importante alerta para os pais, pois em 2008 foram registrados 266 casos, com 28 óbitos e, em 2009, 177 casos entre crianças até 14 anos de idade.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), são considerados “AVCs na infância” os casos ocorridos em crianças de 29 dias a 18 anos, sendo que o “AVC perinatal” é um evento cerebrovascular que ocorre entre as 28 semanas de gestação até 28 dias de vida pós-natal. Já o “AVC fetal” é considerado por alguns pesquisadores como sendo aquele que ocorre entre a 14ª semana de gestação e o início do trabalho de parto, e sua ocorrência pode ser devido à lesão isquêmica, trombolítica ou hemorrágica.

O AVC perinatal é distinguido do AVC após o primeiro mês de vida, não só pelas diferenças significativas em relação aos fatores de risco e manifestações clínicas, mas ainda pela especificidade ao nível da terapêutica. É neste período que há maior risco de AVC, variando a sua incidência de 20 a 60 casos em 100.000 nascidos vivos, apresentando também maior risco de falecimento.

CAUSAS E SINTOMAS

As causas mais prevalentes do AVC isquêmico na infância são: arteriopatia cerebral focal, desidratação, cardiopatia congênita, distúrbios hematológicos e alteração inflamatória direta dos vasos do SNC. Os sintomas do AVC em crianças variam de acordo com a idade e o local do cérebro onde o evento ocorreu. O AVC em bebês geralmente não é detectado, e só vem a ser conhecido no primeiro ano de vida, quando a criança cresce e evolui, podendo-se então analisar a fraqueza num dos lados do corpo. Em crianças maiores, os sintomas são: fraqueza ou dormência de um dos lados do corpo; tonturas severas ou dificuldades em andar; perda de visão ou dificuldades na fala; dor de cabeça forte, especialmente associada a vômitos e sonolência.

Outro aspecto importante para a identificação do AVC nas crianças é o fato de apresentarem convulsões nas primeiras 24 horas após o nascimento, sendo bastante diferente do que ocorre na população adulta.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico dá-se por meio de exames de neuroimagem. Na fase aguda do AVC isquêmico, o exame de escolha é a ressonância magnética de crânio. Após 24 horas da instalação dos sintomas, a tomografia computadorizada de crânio já pode evidenciar a área de isquemia. No AVC hemorrágico, a tomografia computadorizada de crânio já pode evidenciar a área de sangramento imediatamente após a instalação dos sintomas.

O desafio na luta contra o AVC infantil consiste em estabelecer diagnóstico e tratamento precoces. Em prol disso, é necessário que os locais de acesso à saúde – tanto os públicos quanto os privados – estejam preparados em termos de recursos humanos e de equipamentos, a fim de que as crianças recebam atendimento adequado e rápido, objetivando-se minimizar as sequelas e permitir uma reabilitação satisfatória.

Toda a equipe multidisciplinar deve estar consciente da necessidade de adquirir conhecimentos técnico-científicos em benefício da criança, pois esse esforço deve ser priorizado na promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde. Cabe ressaltar a importância de uma equipe multi e interdisciplinar em todos os níveis de atenção, com enfase ao processo de educação em saúde.


LAÍS RODRIGUES GERZSON é fisioterapeuta, pós-graduada em Motricidade Infantil (UFRGS) e em Fisioterapia Neurofuncional da Faculdade Inspirar. Atualmente Mestranda do Programa de Pós-Graduação Saúde da Criança e do Adolescente da UFRGS. Saiba mais em: http://iapediatricstroke.org/Portuguese.pdf


 

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