Família

16/06/2015 09h46

Jamais deixe um bebê chorar

Negar colo em nome de uma ilusória independência precoce fará seu filho mais feliz?

Por Kalu Brum

Dragonvanish/IStock/NBE
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Atenção, amor e colo, sim!

De todas as teorias do universo materno, as que mais me assustam são: não dar colo para o bebê, regular a amamentação em intervalos de tempo fixos e deixar o bebê chorando. Elas me pegam na alma. Bebês não sabem falar, nasceram em um ambiente aquático, escuro, cheio de movimento e calor e estão do lado de fora. Precisam ser alimentados, estranham. Descobrem no peito uma maneira de ter o aconchego pleno.

Basta ver uma cadela: quando o filhote chora, a mãe corre e aconchega. Bebês não choram á toa e se choram estão pedindo: - Por favor me ajude a dormir, a enfrentar a solidão, a lidar com a temperatura que oscila.

Quando um bebê pede colo ele está reconhecendo que você é uma segurança. Quando você nega esse colo ele pode se acostumar com a negligência e resignar-se. Mas ele não está feliz.

Eu adoro o conceito: permita que as crianças sejam dependentes no momento em que podem ser, para que sejam independentes para toda a vida. O que mais vejo neste mundo são pessoas dependentes e resignadas. Dependentes de comida, de medicamentos, de sexo, de necessidade de aceitação. São, em certos casos, sobreviventes de pequenos ou grandes abandonos.

Algumas vezes vendo esses programas que difundem a ideia da Torturadora de bebês, sinto algo inexplicável: eu choro com a mãe que chora, com o filho que dorme soluçando. Não há nada mais fácil e prazeroso para a mãe e o bebê do que deitar junto com o bebe e dormir agarradinho.

É tão rápido que eles crescem... O que são 3 anos diante de uma vida toda? Queremos tanto a independência precoce, exaltamos isso como troféu e depois ficamos nos perguntando onde se perdeu esse fio.

Vejo idosos abandonados com cuidadores ou em asilos e percebo ali o reflexo de uma sociedade que fecha os olhos para os dependentes trocando o amor por tecnologia, chupeta, mamadeira, berço que balança e, no fim, uma cama fria e olhos de uma profissional contratada.

Assim começa a vida, assim ela termina. No meio um grande vazio que tentamos preencher. Um vazio cultivado em nome dessa ilusória independência precoce.

Fonte: Vila Mamífera. Kalu Brum é idealizadora do Vila Mamífera, doula e fotógrafa, jornalista de formação e poeta de coração.


 

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