Planeta

16/03/2015 23h08

Como anda a sua Felicidade Interna Bruta?

No próximo 20 de março celebramos o Dia Internacional da Felicidade. Saiba por quê!

Por Kalinca Susin

Divulgação/NBE
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No Butão, a Felicidade Interna Bruta é mais importante que o Produto Interno Bruto

A felicidade é propósito de um diálogo global em andamento. Um processo dinâmico de conversa entre lideres, intelectuais, incluindo laureados pelo Nobel, instituições governamentais e não governamentais, economistas ecológicos, pensadores, profissionais da psicologia positiva, a sociedade civil como um todo. Um diálogo amparado pelo entendimento (resultante de pesquisas dos especialistas e da própria experiência da vida contemporânea) de que uma nova maneira de se pensar a atividade humana no planeta não é apenas necessária, é urgente.

Motivada por este diálogo a Organização das Nações Unidas estabeleceu em Outubro de 2012 o dia 20 de Março como o Dia Internacional da Felicidade. A decisão foi antecedida por uma serie de encontros, dentre eles a Assembléia Geral da ONU em Julho de 2011 “Felicidade: Rumo a uma Abordagem Holística ao Desenvolvimento”. Na ocasião, o Butão, país que orienta seu desenvolvimento através da filosofia e prática da Felicidade Interna Bruta liderou o movimento e a proposta contou com o consenso dos 193 membros das Nações Unidas.

UM PAIS VOLTADO PARA A FELICIDADE

Há mais de 30 anos o 4º Rei do Butão proclamou a frase que se tornou mote da modernização e desenvolvimento do país: “A Felicidade Interna Bruta é mais importante que o Produto Interno Bruto”. O fato de haver colocado a Felicidade em contraste com o PIB antecipa o momento que vivemos hoje. Um momento consciente de que o crescimento econômico infinito é insustentável para o planeta. Um momento em que recolocamos os questionamentos filosóficos e espirituais sobre a felicidade no plano material e realista. A qualidade de vida e o bem-estar, chaves para a felicidade, necessitam uma nova leitura por parte das lideranças do mundo. Uma leitura que coloque os aspectos não materiais como tão importantes quanto os demais para que a humanidade caminhe para um futuro mais feliz.

No Butão, onde a sustentabilidade é parte intrínseca dos valores do povo, onde a individualidade dá lugar à interdependência, o mundo encontrou nova inspiração para repensar os valores humanos. A Felicidade Interna Bruta é um projeto em andamento do governo Butanês, que está passando por aprimoramentos no momento, mas continua firmemente apoiada nos pilares de desenvolvimento declarados pelo governo: a boa governança, o desenvolvimento socioeconômico sustentável, a preservação cultural e a conservação do meio-ambiente. O país, que tem aproximadamente 80% do seu território coberto por florestas intocadas, já se comprometeu em conservá-las assim para todo o sempre e em fazer a transição para a agricultura 100% ecológica e orgânica, passando a ser o primeiro país do mundo 100% orgânico.

Hoje estima-se que 70% da produção agrícola já aconteça sem químicos. Outra grande inspiração parte do valor dado ao capital social e humano no país. A importância de manter fortes as comunidades locais, os laços de cooperação e senso de confiança entre as pessoas. A Vitalidade da Comunidade é um dos nove indicadores do índice da felicidade Butanês. Os demais são o Bem-estar Psicológico, a Saúde, a Educação, Cultura, o Uso do Tempo, a Boa Governança, a Diversidade Ecológica e o Padrão de Vida.

A leitura multidimensional da felicidade com tamanha ênfase no aspecto ecológico e comunitário contribui para um novo espaço no entendimento humano sobre o real significado de desenvolver-se, evoluir. Contribui para que repensemos nossa concepção de progresso, para que despertemos para nossa condição de participantes de uma vida coletiva neste planeta, para a ecologia rica e complexa na qual temos um papel, da qual nos beneficiamos e assumimos responsabilidades.

O chamado do Butão e o Dia Internacional da Felicidade motivam o despertar para uma noção de felicidade mais sustentável, onde a felicidade instantânea abre espaço para um contentamento consciente e duradouro fundado em valores sólidos e atitudes realmente mais humanas.

O que aprendi durante os seis meses de trabalho e vivências no Butão me colocou um brilho no olhar em relação ao futuro da humanidade e uma necessidade de ecoar essa mensagem e esse entendimento.
Que este 20 de Março seja inspiração para praticarmos uma felicidade verdadeiramente sustentável.

Kalinca Susin é mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Freiburg na Alemanha e FLACSO na Argentina

 

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