Bem-estar

17/02/2015 23h53

Fantasiar-se de si mesmo

Conheça a opinião de quem preferiu apaziguar a folia interior em retiros de autoconhecimento durante o carnaval

Por Nanda Barreto

Zé Paiva
Unnamed

Retiros de yoga e meditação são opção para quem busca um carnaval alternativo (Iyengar Yoga Florianópolis)

E mesmo sem pedir licença ou desculpas, eis que ela chega: a quarta-feira de cinzas é mesmo implacável. Para muitos, é dia de retomar a labuta após o período de festa. Para outros, a folia continua pelo menos até o próximo sábado. E também há aqueles que passaram os últimos dias absolutamente incólumes ao carnaval. Tratam-se de pessoas que - avessas aos festejos - aproveitam o feriadão para participar de retiros espirituais ou simplesmente desfrutar do silêncio da própria companhia.

O poeta e brincadeiro Mario Pirata, 57 anos, é destes que prefere conversar com os próprios botões durante o carnaval. "Gosto de aproveitar estes dias para ficar em casa, retirado em mim mesmo. Mais do que de alegria, o carnaval traz um tsunami de arrebatamentos comportamentais, eu me canso um pouco com isso". Para o Mario, os últimos dias foram dedicados ao cuidado de si mesmo e do jardim da sua casa, em Porto Alegre, cidade onde mora.

A terapeuta Flavia Miranda, 38 anos, também é adepta do lado B do carnaval. Moradora de Brasília, ela passou os dois últimos carnavais em Florianópolis, mas nem de longe avistou os confetes e serpentinas que colorem as ruas da capital catarinense nesta época do ano. "Minha opção é por retiros ligados à prática de yoga. Os benefícios são inúmeros, é um presente para cada vez mais abrir o coração e estar conectado com a nossa essência", salienta.

No embalo do próprio ritmo
Embora admire os festejos de carnaval, Flávia acredita que o período oferece uma oportunidade para investir no crescimento pessoal. "Gosto de aproveitar o feriado para me reciclar, aprender coisas novas e fugir um pouco da rotina. Adoro samba e acho o Carnaval uma das riquezas culturais do nosso país! Acredito que sem excessos, podemos fazer uma linda festa".

Já a empresária mineira Patricia Louzada dos Anjos, 31 anos, nunca foi dada às estripulias carnavalescas. "Sou frequentadora de retiros desde de 1998. Quando parei de ir na confraternização das mocidades espíritas de Belo Horizonte, resolvi experimentar este outro lado do carnaval. Sim... pulei, cantei, fiz aquilo que todos fazem... Mas nem sempre o que é bom para uns é para os outros. Até me esforcei para me encaixar no padrão, mas aquilo não era eu", recorda Patricia, que este ano mais uma vez não trocou o aconchego do lar pelas ruas.  "Prefiro ficar em casa, lendo um bom livro, vendo um bom filme, curtindo o sofá", garante.

E você, como chegou até a quarta-feira de cinzas?

 

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