Crescimento pessoal

03/11/2014 23h44

Como você está se sentindo agora?

Tomar consciência das emoções favorece o desenvolvimento psíquico

Por Carolina Granjeiro, psicóloga

COFFEE AND MILK/ ISTOCKPHOTO/ NBE
Sentir

Identificar o que sentimos ajuda no processo de conscientização

Quando lhe perguntam como você está se sentido, qual a sua primeira resposta? Bem. Mal. Mais ou menos... Você já parou para pensar que “bem” ou “mal” na verdade não são sentimentos? O quanto realmente sabemos sobre o que se passa no mundo dos nossos sentimentos internos?

A vida moderna, tecnológica e veloz, tem nos impulsionado a viver cada vez mais quantitativamente - ora somos extraordinários, muito, super; ora somos pouco, insuficientes, nada. É uma montanha russa de sensações que nem sempre se transformam em emoções, pois há pouco ou nenhum espaço para elas na agenda diária. Além disso, exagerados compromissos, reais ou imaginários, nos levam para reuniões, encontros, festas, casamentos e até férias, muitas vezes infrutíferos do ponto de vista emocional. 

Em vez de nos entregarmos a esse ritmo automatizado, sugiro que procuremos encontrar um tempo e um espaço, não de natureza física, mas sim mental. Um lugar dentro de nós mesmos, um santuário mágico pela sua simplicidade, único por sua veracidade. Ele permanecerá intacto mesmo durante a correria do dia-a-dia. Este recanto interno é onde encontraremos força para vivenciar os problemas e assumir a responsabilidade sobre o que atraímos para nós mesmos.

Muitos viajam milhas atrás de um pouco de paz, ignorantes de que a viagem mais intensa e bela é sempre aquela rumo ao nosso próprio interior. Trata-se de um estado de atenção plena, um deixar fluir que nos ajudará a desvendar os enigmas da alma, materializados no nosso cotidiano.

Preocupação x ocupação

 Os sentimentos despertados pelas situações que vivemos precisam ser conscientizados, e não negados. Há funções psicológicas que não podem ser negligenciadas sem graves consequências. A obesidade, a ansiedade, a depressão, a agressividade, as diversas compulsões e abusos estão aí para provar a seriedade do assunto. Entretanto, não há como realizar esta tarefa se ocupamos nossa mente o tempo todo com programas de televisão, jornais, internet e pré-ocupações com coisas que ainda não aconteceram. A preocupação é o contrário da ocupação, é estagnar-se no medo.

A saída está na expansão da consciência, no enfrentamento das situações, no lento processo de despertar, no desenvolvimento e amadurecimento psicológico das potencialidades que existem em algum lugar aí dentro. Essa tarefa certamente ultrapassa as paixões e desejos do ego, pois a felicidade não advém da satisfação destes. O ego é apenas uma parte de nós mesmos e não representa a nossa alma. 

Para tanto necessitamos de disciplina para limpar os ruídos das interações improdutivas, da tecnologia invasiva e das armadilhas das redes sociais que, sob o pretexto de ajudar a conectar-nos com o outro, acabam estimulando a nos desconectarmos de nosso interior. Estes ruídos comprometem a qualidade das nossas interações e percepções.

Portanto experimente desacelerar internamente, treinar o sentir, o significar. Fuja das repetições, crie brechas no seu dia a dia para entrar em contato com a sua essência. Silencie. Todos precisamos de momentos sagrados de solitude.

Visão mais clara

Conforme ficamos mais presentes no momento e atentos a nossos sentimentos, passamos a enxergar de que forma as situações vivenciadas refletem aspectos negligenciados da nossa alma. Então vemos uma situação e pensamos, “não tem nada de mim lá, isso não me pertence, não me diz respeito”. Será? Provavelmente atraímos estas situações justamente para que possamos perceber mais claramente conteúdos internos que estavam escondidos em algum lugar. Isso pode ser duro de admitir...

A boa notícia é que somos, portanto, detentores da capacidade de solução de nossos problemas.  Às vezes a solução reside apenas em compreendê-los sobre outro ângulo, tomar perspectiva, enxergar novas possibilidades. Afinal, os problemas não estão aí para serem combatidos, mas sim compreendidos e vivenciados. Estas atitudes corajosas impulsionam o individuo rumo a sua transmutação e a evolução. E você, sabe identificar o que está sentido agora?

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