Saúde Integral

01/10/2014 11h16

Aparelhos celulares e os riscos de câncer

Perigos do uso são velhos conhecidos da ciência e pouco divulgados

Por Nosso Bem Estar

MAXIMKOSTENKO/ ISTOCKPHOTO/ NBE
Maximkostenko  istockphoto nbe

Uso consciente ajuda a minimizar problemas causados pela radiação

Os aparelhos celulares emitem ondas eletromagnéticas que podem ser nocivas à saúde. Hoje no meio científico já há muita informação sobre os riscos da exposição a estas radiações. Porém, por ferir os interesses econômicos, estes estudos ainda são muito pouco divulgados.

Na década de 80, eram raras as pessoas que possuíam um celular. Ele pesava quase o triplo dos modelos atuais e custava um bom dinheiro. Hoje, com o avanço tecnológico, existem celulares de todos os tipos, pesos, preços e tamanhos. O estranho atualmente é uma pessoa não ter um celular! 

Porém, pesquisas indicam que, além de muitos conterem substâncias tóxicas em sua estrutura, as ondas emitidas por eles podem causar danos sérios à saúde.

Risco de câncer!

Em pesquisas realizadas pelo Interphone Study Group em parceria com a Internacional Agency for Research on Cancer (IARC), concluiu-se que existem suspeitas de aumento de tumor maligno no sistema nervoso central para usuários que utilizam frequentemente o celular do mesmo lado da cabeça. Diante desse cenário, a IARC classifica o campo magnético emitido pelos celulares como possivelmente carcinogênico para humanos, ou seja, a radiação interfere na saúde do ser humano, porém as evidências atuais ainda não são suficientes para classificar essa radiação como carcinogênica para humanos.

Segundo estudo científico realizado por especialistas da National Institute on Drug Abuse, há uma associação entre utilizar por 50 minutos o celular no modo convencional (perto da cabeça) e o aumento do metabolismo da glicose cerebral. Até o momento, essa evidência não tem significância clínica para que se possam tirar conclusões sobre o que esse efeito pode provocar na saúde.

Para outra pesquisa elaborada na Universidade de Tampere (Finlândia), os tumores malignos em usuários de celular não se localizam necessariamente em partes atingidas pela radiação emitida pelos aparelhos, ou seja, eles podem surgir em outros lugares do corpo, afetando negativamente a saúde humana.

Também na Universidade de Oxford, foi sinalizado o aumento dos riscos de tumor maligno associado ao uso prolongado do celular (mais de cinco anos), sendo que o risco aumenta proporcionalmente aos anos de uso. Assim como também afirma um grupo de trabalho gerido pela IARC, segundo o qual as chances de ocorrência de câncer em 10 anos podem aumentar em 40%, quando o celular é utilizado perto da cabeça por em média 30 minutos por dia.

Outro efeito associado à radiação e a saúde, envolve a interferência que a radiação eletromagnética emitida principalmente pelos celulares, causa em medicamentos homeopáticos. Existem estudos que indicam a diminuição dos efeitos de medicamentos em animais expostos à radiação eletromagnética. 

Limites regulados por lei

No Brasil, existem limites para a Taxa de Absorção Específica (SAR ou Specif Abortion Rate), estabelecidos por meio da Resolução nº 303, de 02 de julho de 2002 da Anatel, que estabelece o valor máximo da SAR de 2 watts por quilo (W/kg) para as regiões da cabeça e do tronco. Nos Estados Unidos, a SAR estabelecida pela Federal Communications Commission (FCC) é de 1,6 W/kg. Esse valor significa que em um quilo de tecido da cabeça e do tronco não pode ser absorvido mais de 2 watts de energia provinda da radiação emitida pelo celular.

Esses valores são os mesmos adotados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que foram determinados pela Comissão Internacional de Proteção contra as Radiações Não Ionizantes (ICNIRP, sigla em inglês). No entanto, em discussão na Câmara dos Deputados do Brasil, foi apontado que os valores determinados pela ICNIRP datam de 1998 e somente consideram os efeitos na saúde da radiação para curto tempo de exposição.

O cenário mundial é outro na atualidade, principalmente no Brasil. É preciso determinar os limites de absorção da radiação baseado nos seus efeitos à saúde para uso prolongado dos aparelhos. Só para se ter uma ideia, de acordo com um levantamento de um site britânico, em média os usuários passam 90 minutos por dia interagindo com o telefone celular. E brasileiros já interagem com o celular assim que acordam, segundo IBOPE.

Os limites da SAR estabelecidos pela Anatel e pela FCC valem também para aparelhos de wireless de uso restrito, ou seja, aqueles que usamos em casa, o chamado roteador wi-fi. Esses aparelhos também emitem radiação eletromagnética e também apresentam os mesmos riscos à saúde associados aos telefones celulares.

Atenção para as crianças!

As crianças compõem parcela crescente de usuários de celulares e de outros dispositivos eletrônicos em geral. A OMS aponta para vários estudos que indicam efeitos da radiação de antenas e de aparelhos celulares na saúde dos pequenos.

A massa corporal de uma criança é muito menor que a de um adulto, devido a isso, a radiação absorvida pelo corpo pode causar efeitos muito mais sérios. Dentre os apontados pelo grupo de trabalho, estão: problemas de aprendizado, distúrbios comportamentais, comprometimento do sistema imunológico e câncer.

Dicas para o uso consciente

A U.S Food and Drug Administration (FDA) apresenta dicas para te proteger da radiação, indicando a utilização de kits próprios para celulares que contêm dispositivos para tornar possível a conversação no celular sem entrar em contato com a área da cabeça, como os fones de ouvido. 

Ainda nas recomendações, a FDA afirma que a utilização desses kits reduz, mas não elimina os riscos que eventualmente possam estar relacionados à exposição e à radiação emitida pelos celulares. A FCC também indica que manter o celular longe do corpo e da cabeça, usar o viva voz para falar ao telefone, redigir mensagens de texto, utilizar o telefone fixo quando se tem a opção e fazer uso consciente do celular, evitando falar por horas, também ajudam muito a diminuir a absorção de radiofrequência.

Outra dica que contribui em muito para a sustentabilidade é adotar um único telefone celular. Existem pessoas que possuem dois ou mais equipamentos. A melhor opção é usar tecnologia que suporte mais de um chip, gerando até uma economia considerável. Assim, você evita carregar tantos telefones celulares e diminui o descarte de aparelhos eletrônicos. Os fabricantes de celulares também recomendam nos manuais de instruções, manter o celular no mínimo um centímetro afastado da cabeça.

Outros equipamentos e acessórios de diversas marcas foram criadas para minimizar a quantidade de radiação que chega à cabeça, que além de te oferecer proteção, torna mais sustentável e saudável a utilização do aparelho celular. Normalmente, eles são constituídos por uma capa protetora composta por camadas, que são responsáveis por trazerem os benefícios de limitar a radiação.

Agora você já sabe: use o celular de forma consciente.

Fonte: ECycle - www.ecycle.com.br

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