Família

11/08/2014 11h17

Sexualidade: quebrando tabus

Por que é preciso falar de sexo para harmonizar as nossas relações

Por Nosso Bem Estar

GEORGE RUDY/ ISTOCKPHOTO/ NBE
Georgerudy istockphoto nbe

Ter conversas sinceras sobre as emoções que fazem parte da vida sexual é fundamental para preservar a saúde dos relacionamentos e da família

Sexo ainda é um assunto cercado de preconceitos, medos e ansiedade. Muitos de nossos conflitos emocionais e bloqueios físicos têm alguma relação com a forma como desenvolvemos a sexualidade. Porém, quando alguém decide encarar alguns tabus, ganha sabedoria para lidar com o seu prazer, podendo então compartilhar experiências mais saudáveis.

Nossa intenção com esta matéria não é simplesmente falar sobre sexo, mas sim ampliar a visão a respeito deste tema. Existem muitas dimensões e mitos relacionados com a sexualidade, que é tão natural e ao mesmo tempo não costuma ser abordada em toda a sua profundidade. Por isso vamos deixar aqui algumas dicas que são fundamentais para a sua saúde e segurança. 

Na família, na escola, nos relacionamentos amorosos... Falar de sexo é fundamental para esclarecer aspectos biológicos essenciais à natureza humana e também para compreender os desejos e necessidades de cada um. Um encontro, prazeroso ou não, que é capaz de gerar uma vida.

Na cultura ocidental a sexualidade por muito tempo foi considerada profana, algo que precisava ser escondido. Com isso acabamos reprimindo algumas pulsões naturais e relegamos às sombras nossa busca por prazer e união. Já na visão oriental, o encontro entre homem e mulher é considerado sagrado e a vida sexual pode ser uma fonte de entusiasmo e autoconhecimento.

Saiba como o sexo pode ser terapêutico para os casais.

Para pais e mães de uma nova geração de jovens, é um desafio lidar com os questionamentos que surgem logo cedo. Como responder às perguntas sem ultrapassar a compreensão que dispõem na sua idade? Como educar sem transferir aos filhos nossas percepções muitas vezes machucadas sobre o que é sexo e as emoções que estão relacionadas?

Desde a infância

É unanimidade entre os especialistas que a educação sexual começa na infância. Desde as primeiras demonstrações de interesse do filho, os pais precisam se mostrar abertos a essa conversa. Quando a criança fizer uma pergunta, a resposta deve ser simples e fechada naquela questão, sem partir para lições completas sobre sexo que ela pode não entender ou não estar interessada.

Segundo a terapeuta familiar e sexual Sylvia Faria Marzano, esclarecer a dúvida é importante porque a cumplicidade começa a nascer aí, e a abertura para conversar quando o jovem começar sua vida sexual vai depender de como o tema foi levado pela família desde o início. “Se os pais forem verdadeiros, cada vez mais a criança confiará neles”, diz.

Quando a criança estiver para entrar na puberdade, entre os nove e dez anos, o diálogo pode ser ampliado, preparando os jovens para as mudanças que eles vão começar a enfrentar. “A primeira coisa é explicar o que vai acontecer com o corpo, como vai mudar, contar que vão nascer pelos, que a menina vai menstruar e que a partir daí ela poderá engravidar”, declara a vice-presidente da Abrades (Associação Brasileira para a Educação Sexual), Cláudia Bonfim.

Esse também é o período adequado para a visita ao médico, o ginecologista no caso da meninas e o urologista, no dos meninos. “É importante que a garota aprenda como ela é formada, sobre menstruação, masturbação, corrimento. Então, na adolescência, quando já tiver pronta para iniciar a vida sexual, pode começar usar métodos anticoncepcionais”, afirma Sylvia.

Entre os meninos, um especialista pode ajudar a esclarecer medos e inseguranças em relação ao tamanho do pênis e masturbação. “É importante que os jovens entrem sozinhos no consultório médico. Depois, o profissional poderá conversar com os pais para acalmá-los”, diz a terapeuta.

O médico pode também conversar com pais e filhos sobre o HPV, vírus transmitido sexualmente que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), está associado a câncer de colo do útero, vagina, pênis, ânus e boca.

Masturbação: é feio?

A masturbação é um comportamento absolutamente normal e pode estar presente em qualquer idade. As fantasias vinculadas a ela e o ato em si são fontes de culpa universais. É muito importante que os pais possam permitir esse comportamento em seus filhos, oferecendo a privacidade necessária a eles, evitando que suas próprias vergonhas e repressões afetem o início da vida sexual de suas crianças.

Evite propagação de mitos como os que dizem que quem se masturba fica louco, epiléptico, esquizofrênico e com um anormal crescimento de pelos nas mãos. É necessário enfatizar que a masturbação é um ensaio essencial para a realização sexual de um adulto.

Deve-se sempre respeitar a crença religiosa das pessoas, mas também saber que a masturbação já foi considerada pecado religioso no que tange ao desperdício de sêmen (esperma). Na religião, o ato sexual deveria sempre visar a reprodução, a geração de mais filhos.

Filhos adolescentes

Conversar com os filhos adolescentes pode ser, para muitos pais, uma tarefa árdua. Quando atingem certa idade, alguns jovens se fecham para a família e buscam nos amigos os novos confidentes, com quem vão compartilhar suas experiências e sentimentos. Nesse cenário, sexo pode se tornar o mais espinhoso dos assuntos. Mas, apesar das dificuldades que muitos adultos ainda têm de falar abertamente sobre esse tema, é responsabilidade deles garantir que seus filhos iniciem a vida sexual seguros e bem informados.

Para Cláudia Bonfim, os adolescentes hoje conhecem bem a parte “operacional” do sexo, sabem como fazer, conhecem posições, mas não entendem como usar preservativos e anticoncepcionais e não sabem lidar com o aspecto emocional.

Falar sobre sexo não é apenas listar problemas como gravidez e doenças sexualmente transmissíveis e explicar como evitar. Prazer, responsabilidade e sentimentos também fazem parte da educação sexual e devem ser tratados em casa.

Nas escolas

É importante que o assunto também seja abordado em outros ambientes de convivência dos jovens, principalmente na escola. Afinal é no local de estudo que aparecem as principais mudanças nas relações afetivas entre as crianças e os jovens: no primeiro ciclo de aprendizagem, o namoro inocente; já no ensino médio, namoros que fomentam vontades e descobertas sexuais se tornam mais comuns. 

Qual deve ser o foco da discussão sobre sexo? A pesquisa "Retrato do Comportamento Sexual do Brasileiro", realizada pelo Ministério da Saúde em 2009 com 8 mil pessoas, mostra que 35,4% dos brasileiros fizeram sexo antes dos 15 anos de idade. É fato: crianças e adolescentes estão descobrindo a sexualidade e os limites do próprio corpo cada vez mais cedo. Por isso o foco deve ser a orientação sexual, mesmo. É preciso passar a informação sem reforçar mitos e preconceitos e possibilitando o diálogo da forma mais aberta possível. E isso deve acontecer tanto na escola quanto em casa.

"Existe uma crença equivocada de que fornecer Educação Sexual é o mesmo que incentivar a inicialização da vida sexual na escola", diz Isabel Botão, técnica do Departamento de DST/ AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Ela acredita que é indispensável a criação de um canal confiável de debate sobre o tema nas escolas, local onde as crianças e os adolescentes passam a maior parte do tempo. "Sexo faz parte do cotidiano do jovem, não adianta negar", diz. 

Tire aqui as suas dúvidas sobre a Educação Sexual na escola.

Na intimidade do casal

Homens e mulheres também precisam cultivar, em sua intimidade, o hábito de conversar sobre sexo. Principalmente para quebrar alguns mitos que se disseminaram por muito tempo sobre a sexualidade feminina e masculina. Muitas vezes os amantes se sentem compelidos a ter algum tipo de comportamento condicionado ou buscam imagens idealizadas de sua vida sexual, e acabam não respeitando a si e ao outro em suas emoções.

Leia aqui preciosas dicas para expandir a intimidade e a vida sexual com o seu par.

Veja neste artigo 25 coisas que você precisa saber sobre sexo. ;) 

Fontes: ABC da Saúde - www.abcdasaude.com.br, UOL Mulher – www.mulher.uol.com.br, Andrew Barnes e Paula Fernanda - www.paulafernanda.com.br

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