Planeta

13/07/2014 17h39

Orgânicos em alta! Saiba por que os consumidores estão mais conscientes

Pesquisas revelam as razões desse crescimento no mercado

Por Nosso Bem Estar

REDE ECOVIDA/ DIVULGAÇÃO/ NBE
Org%c3%a2nicos

Grupo realiza auditoria da certificação participativa

Os orgânicos estão na moda. A questão do uso e impactos dos agrotóxicos sobre a saúde e o meio ambiente tomou uma dimensão ainda mais significativa no Brasil desde que o país se tornou o maior consumidor mundial de venenos agrícolas.

Em nome da produtividade, de um critério economicista sobre o que é o progresso humano, a terra, os alimentos e os seres humanos estão sendo contaminados. É o que afirma o documentário “O Veneno Está na Mesa", produzido pelo cineasta Silvio Tendler.

Pode parecer exagero, mas o fato é que muita gente já despertou para a necessidade de produzir e consumir produtos que causem menos impacto à nossa saúde e do planeta. ;)

Assista o documentário “O Veneno Está na Mesa"!

Por trás de toda a curiosidade despertada pelos produtos orgânicos, estão cifras que mostram que este mercado não para de crescer. O Ministério do Desenvolvimento Agrário prevê que este nicho de mercado movimente R$ 2 bilhões, apenas em 2014. E a justificativa para este boom está na conscientização do consumidor.

A mais recente pesquisa da Organic Services, realizadas nas principais capitais brasileiras, mostra que a fatia de consumidores que conhece e deseja consumir estes produtos aumenta cada vez mais. Para 85% dos consumidores, o principal atributo dos produtos orgânicos é o benefício à saúde. O segundo, para 65% dos pesquisados, é que eles oferecem mais segurança alimentar e a primeira lembrança ao pensar nos orgânicos, para 64%, é de que eles não contêm agrotóxicos.

Estes dados demonstram que o consumidor está cada vez mais exigente e bem informado. Isso o leva a questionar o próprio estilo de vida, sua rotina e, também, seus hábitos alimentares e de consumo. Para estas pessoas, a busca pela saúde é mais vantajosa do que tratar doenças. A beleza é importante, mas não é tudo. Por isso, a busca por terapias alternativas e fontes mais saudáveis de vida estão em alta no país.

Certificação participativa

Com o crescimento do mercado dos orgânicos, muitos selos de qualidade começam a surgir para credenciar produtores que utilizam procedimentos ecológicos. Para criar estes critérios de forma solidária garantindo a credibilidade, a rede de agroecologia Ecovida criou a certificação participativa.

O selo é obtido após uma série de procedimentos desenvolvidos dentro de cada núcleo regional. Ali ocorre a filiação à rede, a troca de experiências e verificação do Conselho de Ética.

A elaboração e a verificação das normas de produção ecológica são realizadas com a participação efetiva de agricultores e consumidores. O objetivo é buscar o aperfeiçoamento constante e o respeito às características de cada realidade.

Além de garantir a qualidade do produto ecológico, permite o respeito e a valorização da cultura local através da aproximação de agricultores e consumidores e da construção de uma rede que congrega iniciativas de diferentes regiões.

Conheça a cartilha da certificação participativa.

Mudança de cultura

Quem aposta na produção sem agrotóxicos está tendo que se movimentar para dar conta da demanda crescente por estes produtos. Segundo o agricultor Glaico Sell, proprietário da Dom Natural Orgânicos, de Santa Catarina, cada vez mais surgem oportunidades para fornecer alimentos ao mercado institucional (hospitais, escolas, empresas, etc.), e os produtores precisam se organizar para atender essa procura.

“Nós fazemos o planejamento de plantio para o ano e discutimos o preço da safra antecipadamente. A vantagem da produção orgânica é que já se produz sabendo para onde vai vender”, conta. Ele, que planta cerca de um hectare, já fez entregas para restaurantes em Florianópolis, mas hoje se dedica praticamente apenas à feirinha da Lagoa da Conceição, que é um sucesso de público.

A proprietária do Mercado dos Orgânicos, loja virtual que vende desde shampoo e maquiagens até espumante e sabão em pó orgânicos, Amanda Pamplona, explica qual é o perfil dos consumidores destes produtos. “A maioria dos nossos clientes é formada por mulheres. Grande parte delas, jovens mães ou mulheres maduras que estão em fase de reeducação alimentar ou que querem o bem-estar dos filhos e de si mesmas. Mas o mais interessante é que todas elas, sem exceção, são bem informadas e sabem exatamente o que querem”, explica.

Independentemente do sexo ou da idade de quem compra estes produtos, o que ele mais deseja é qualidade de vida. “Os resultados aparentes são os mesmos, mas os benefícios à saúde são distintos. É muito melhor você usar um hidratante orgânico, feito a partir de substâncias naturais, do que o convencional que contém derivados do petróleo em sua composição, por exemplo”, afirma Amanda.

Exatamente por querer entender todos estes detalhes, o relacionamento com este tipo de cliente é diferente do convencional. “Ele quer saber o que está levando para dentro de casa. Por isso, acabamos sempre conversando muito e estamos sempre atrás de mais informação”, revela a empresária.

Fontes: Documentário "O Veneno Está na Mesa", de  Silvio Tendler, Centro Ecológico – www.centroecologico.org.br, Rede Ecovida – www.ecovida.org.br, Mercado dos Orgânicos – www.mercadodosorganicos.wordpress.com

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