Saúde Integral

28/10/2013 11h32

Pesquisas comprovam resultados de terapias integrativas

Organização Mundial de Saúde reconhece efeitos benéficos do Reiki e da acupuntura

Por Nosso Bem Estar

ISTOCKPHOTO.COM/MIODRAG GAJIC
Terapias integrativas

Estudos sobre técnicas como Reiki e acupuntura, antes restritos às universidades orientais, ganharam espaço entre pesquisadores americanos, europeus e até brasileiros. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já aceita as incontáveis evidências e classificou o Reiki e a acupuntura com uma denominação condizente: são terapias integrativas.

Um artigo explicando o mecanismo da acupuntura contra a dor foi publicado por pesquisadores da Universidade de Rochester na revista “Nature Neuroscience”. Criada há quatro mil anos, a prática consiste na aplicação de agulhas em pontos do corpo. Pela explicação tradicional, ela ativa determinadas correntes energéticas para equilibrar a energia do organismo.

Cientificamente, as agulhas teriam efeitos no sistema nervoso central (cérebro e espinha dorsal). As células cerebrais são ativadas e liberam endorfina, um neurotransmissor responsável pela sensação de relaxamento e bem-estar. O estudo dos nova-iorquinos descobriu uma novidade: a terapia, que atinge tecidos mais profundos da pele, teria efeitos no sistema nervoso periférico. As agulhas estimulam também a liberação de outro neurotransmissor, a adenosina, com poder antiinflamatório e analgésico.

Já para os praticantes do Reiki, é possível alcançar inúmeros benefícios através da energia canalizada pelas mãos do terapeuta sobre o corpo do paciente. Para entender as alterações biológicas causadas por esta prática, o psicobiólogo Ricardo Monezi testou o tratamento em camundongos com câncer. “O animal não tem elaboração psicológica, fé, crenças e a empatia pelo tratador. A partir da experimentação com eles, procuramos isolar o efeito placebo”, diz.

Para a sua pesquisa na USP, Monezi escolheu o Reiki entre todas as práticas de imposição de mãos por tratar- se da única sem conotação religiosa. No experimento, a equipe de pesquisadores dividiu 60 camundongos com tumores em três grupos. O grupo controle não recebeu nenhum tipo de tratamento; o grupo “controle-luva” recebeu imposição com um par de luvas preso a cabos de madeira; e o grupo “impostação” teve o tratamento tradicional sempre pelas mãos da mesma pessoa. Os animais foram avaliados quanto a sua resposta imunológica, ou seja, a capacidade do organismo de destruir tumores.

Os resultados mostraram que, nos animais do grupo “impostação de mãos”, os glóbulos brancos e células imunológicas tinham dobrado sua capacidade de reconhecer e destruir as células cancerígenas. “Não sabemos ainda distinguir se a energia que o reiki trabalha é magnética, elétrica ou eletromagnética. Os artigos descrevem- na como ‘energia sutil’, de natureza não esclarecida pela física atual”, diz Monezi. Segundo ele, essa energia produz ondas físicas, que liberam alguns hormônios capazes de ativar as células de defesa do corpo.

A equipe de Monezi começou agora a analisar os efeitos do reiki em seres humanos. O estudo ainda não está completo, mas o psicobiólogo adianta que o primeiro grupo de 16 pessoas, apresenta resultados positivos. “Os resultados sugerem uma melhoria, por exemplo, na qualidade de vida e diminuição de sintomas de ansiedade e depressão”. O trabalho faz parte de sua tese de doutorado pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp).

E esses não são os únicos trabalhos desenvolvidos com as terapias complementares no Brasil. A psicobióloga Elisa Harumi, avalia o efeito do reiki em pacientes que passaram por quimioterapia; a doutora em acupuntura Flávia Freire constatou melhora de até 60% em pacientes com apneia do sono tratados com as agulhas, ambas pela Unifesp. A quantidade de pesquisas recentes sobre o assunto mostra que a ciência está cada vez mais interessada nos mecanismos e efeitos das terapias alternativas.

 

Fonte: Jornal Bem Estar

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