Bem-estar

16/05/2014 09h32

Onde se encontra o caminho para a felicidade?

Uma reflexão importante para quem ainda se sente perdido

Por Stephanie Gomes, jornalista

DESASSOSSEGADA/ DIVULGAÇÃO/ NBE
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É muito provável que você já tenha dado os primeiros passos em seu caminho

Se a felicidade não é um destino, e sim um caminho, como iniciar a caminhada? O que há nela? Por onde começar? Esta reflexão é talvez a mais importante e esclarecedora sobre o assunto, e pode dar a luz que falta para quem ainda se sente perdido na tão falada busca pela felicidade.

É possível que você já tenha dado os primeiros passos dentro do seu caminho para a felicidade, principalmente se costuma pensar e refletir sobre isso. A primeira questão é: você consegue reconhecer que já começou a caminhada? Se acredita que sim, vale perguntar: em que lugar deste caminho você está? Para onde deve seguir?

A entrada para o caminho da felicidade fica em um lugar que qualquer pessoa pode ter acesso: dentro de si. Você não consegue estar dentro de nenhum local sem antes passar pela entrada, e neste caso não é diferente. É no seu interior que a felicidade nasce e começa a existir. Se não começar por aí, os próximos passos serão incompletos e você não conseguirá aproveitar todo o potencial de felicidade que poderia explorar.

Se sente que há algo faltando na sua busca pela felicidade, tente voltar até a entrada e veja se, por acaso, não pulou esta etapa ou passou por ela de olhos fechados. O caminho envolve também o que há externamente, mas é preciso primeiro alinhar-se internamente e se sentir feliz e preparado para os próximos passos. Se não estiver em paz por dentro, nada do que há do lado de fora irá ajudar.

Você se sente confiante e equilibrado? Ama a si mesmo, inclusive os seus defeitos? Mesmo quando não há nada de especial acontecendo, consegue sentir contentamento e satisfação? Se sim, reconheça que você já está no caminho para a felicidade. Você já é feliz.

Tendo encontrado a felicidade no seu interior, não saia ainda de dentro de si. Há uma nova direção que precisa ser tomada a partir de onde está. Você entrará em uma estrada chamada autoconhecimento, lotada de placas com questionamentos como:

- Quem você é?
- Não, de verdade, quem você é?
- O que você quer (você, não os outros)?
- O que faz você se sentir bem?
- O que é mais importante para você na vida?
- O que costuma ser importante para os outros, mas para você não importa?
- O que ninguém costuma se importar, mas é importante para você?
- Quais são seus verdadeiros sonhos, desejos e vontades?
- O que te motiva?

O caminho do autoconhecimento é longo, porém muito gratificante. É grande a recompensa por permitir-se conhecer a si mesmo e descobrir as suas verdadeiras respostas. Esta estrada, na verdade, nunca termina. Em algum momento ela começará a misturar-se ao caminho das suas escolhas, e é quando você terá que caminhar, ao mesmo tempo, dentro e fora de si.

A felicidade mora dentro de você e, se não estiver no seu interior, é preciso voltar à entrada e refazer o caminho. Mas isso não significa que o exterior não tem importância. Suas ações, escolhas, realizações e relacionamentos fazem parte do caminho. Agora, do lado de fora, você passará a buscar o que condiz com aquilo que o autoconhecimento revelou sobre quem você é. Lugares, atividades, pessoas, objetos, experiências e aprendizados são algumas das coisas que fazem parte da felicidade e se encontram externamente.

Esta pode ser a parte mais difícil de todas, porque há muitas opções a serem experimentadas e opiniões alheias querendo te dizer qual é o caminho ideal. Além de avaliar e testar inúmeras possibilidades, você ainda tem que lidar com a confusão causada pelos diferentes palpites que surgem por todos os cantos – da sua família, dos seus amigos, o que dizem os livros, o que você lê na internet. Por um lado, é muito bom receber sugestões quando você está perdido e não sabe o que fazer ou por onde começar. Porém, a quantidade de conselhos que são colocados como regra estão mais nos desorientando do que oferecendo clareza.

A culpa é das pessoas que falam sobre a felicidade? Não! O problema é que você aceita tudo o que te dizem como verdade e não se faz uma simples pergunta: isso serve para mim?

Para algumas pessoas, felicidade é conhecer o mundo. Para outras, é poder se expressar através da arte. Há quem tenha certeza de que nasceu para ensinar, curar ou ajudar, e precisa fazer isso para ser feliz. Alguns se sentem plenamente felizes através da espiritualidade. Tem quem só se sente completamente bem se puder manter contato com a natureza, ao mesmo tempo em que há quem não troque a cidade grande por nenhum outro lugar. Existem pessoas que encontraram caminhos transformando em felicidade a companhia de animais, a prática de um esporte, a yoga, a música, o relacionamento, seus talentos. Cada um inclui em sua vida aquilo que descobre que lhe faz feliz.

Quando alguém compartilha com outras pessoas a sua própria ideia de felicidade, não significa que o caminho desta pessoa é a opção certa e que viver de forma oposta é não ser feliz. O que se opõe à felicidade é não estar de acordo com quem você é. Se alguém é feliz em determinado caminho, é porque suas escolhas correspondem a quem essa pessoa é e condizem com a felicidade que ela encontrou anteriormente dentro de si. A ordem é sempre a mesma: primeiro a felicidade existe dentro de você, depois ela encontra seu caminho no exterior. O problema é que invertemos o processo, procurando-a do lado de fora e esperando que tudo se ajeite sozinho por dentro. Pra piorar, esperamos também por uma resposta pronta que nos diga qual é o nosso caminho para a felicidade.

Não existem caminhos melhores ou piores, nem regras que podem te dizer o que você deve fazer para ser feliz. Não aceite conselhos ou sugestões como resposta final. Use-os como questionamentos. Mas não questione as opiniões, questione a si mesmo. Conheça-se e encontre a sua própria resposta.

Antes de tomar como sua a ideia do caminho da felicidade de outra pessoa, pergunte-se: quem eu sou se identifica com isso? Eu sinto que realmente posso e quero ser feliz seguindo este caminho? Seja sincero, não se sinta pressionado a ter que acreditar que tal caminho é o seu. Talvez seja, talvez não. É para isso que serve o autoconhecimento e por isso é tão importante levá-lo a sério. Só conhecendo-se muito bem você é capaz de encontrar a felicidade real.

É por isso que, apesar de escrever diversas recomendações, ideias e direcionamentos possíveis para a felicidade aqui no Desassossegada, hoje dou o conselho mais importante registrado aqui até agora: quando ler algo sobre o assunto neste blog ou em outros, nos livros ou em artigos; quando assistir a um documentário ou a uma entrevista com especialistas; e até mesmo quando consultar-se com um terapeuta, antes de aceitar o que você absorve como verdade, reflita. Veja se realmente se identifica e se é aquilo que a felicidade que há dentro de você quer. Pode ser que algumas coisas te sirvam e outras não. Não faz mal. Refletir vai ajudar você a se entender melhor, te tornar mais aberto a possibilidades e permitir-se ser quem você é, e estas três atitudes são fundamentais para capacitá-lo a descobrir o seu caminho.

* Stephanie Gomes é jornalista e editora do blog Desassossegada, onde escreve sobre desenvolvimento pessoal, saúde, comportamento, autoconhecimento e busca pela felicidade.

Fonte: Desassossegada – www.desassossegada.com.br 

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