Crescimento pessoal

09/05/2014 10h41

Quanto pesa o seu ego?

Uma visão expandida a respeito da psique humana

Por Flávio Bastos, psicoterapeuta

ANGIE PHOTOS/ ISTOCKPHOTO/ NBE
Ego

Perceba o seu ser inteiro e encontre mais leveza em suas experiências

"Onde o amor impera, não há desejo de poder, e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é sombra do outro". (Carl Jung)

Segundo a psicanálise, o ego é a instância psíquica correspondente ao princípio de realidade. Além desta camada, a mente conta também com o id, relacionado ao princípio do prazer, e com um sensor implacável, o superego.

Assim sendo, o ego é o equilibrista da psique, pois tem que cumprir pelo menos alguns princípios do id, sem violar as ordens do superego, atento também aos desmandos do mundo exterior. Nada melhor que esta visão das funções do ego para compreender porque ele está ligado ao real. Ele é o elemento menos profundo da mente e, transmutado em consciência, constrói o conceito de realidade, ou seja, aceita apenas o passar pelo viés da escolha criteriosa e da fiscalização dos desejos e caprichos do instinto e dos impulsos humanos.

O raciocínio psicanalítico que define a palavra "ego", leva-nos a concluir que a sensação de equilíbrio ou desequilíbrio psíquico encontra-se na razão direta das experiências e escolhas que o indivíduo faz durante o seu processo vital, que repercutirão no seu aspecto comportamental via inconsciente.

Nesta lógica, o ego é o centro da consciência inferior que liga o indivíduo à percepção linear da experiência física, enquanto o self (si-mesmo) de Carl Jung, é o sujeito do "todo", isto é,   também da psique inconsciente, profunda, que leva à individuação, definida como o desenvolvimento da consciência de um estado primitivo de identidade para um alargamento da esfera consciencial e da vida psicológica consciente.

Visão interdimensional

Para as religiões reencarnacionistas, o ego é apenas a noção intelectual, limitada e ilusória que o ser humano tem de si próprio e do mundo que o cerca: apenas um aspecto temporário do nosso verdadeiro eu, que poderíamos chamar de "ser integral". Segundo esta visão, o ego se confunde com o aspecto egoísta de nossa personalidade, que é insaciável e vive eternamente na busca pela realização de desejos e vaidades inúteis.

A minha experiência, enquanto psicoterapeuta interdimensional e dirigente mediúnico espírita, aponta o ego freudiano como sendo a síntese das sucessivas reencarnações de cada indivíduo, e o self junguiano, a instância psíquica que mais se aproxima do eu transcendente da religiões reencarnacionistas e do holismo, que promovem o desenvolvimento do ser integral, ou seja, aquele que se percebe como a interrelação entre todas as dimensões de seu ser: corpo físico, emocional, mental, espiritual, ambiental, social, planetário e universal.

Nesta direção, o desafio do homem do terceiro milênio, é alterar significativamente um modelo comportamental atrelado a valores que promovem o ego como sendo o centro do universo. Egocentrismo de origem cultural associado à sede de poder que acompanha o homem desde tempos imemoriais, e que tem estimulado inúmeras gerações no exercício do egoísmo, do orgulho, da egolatria, da prepotência e de outros "derivados" do ego.

O fardo de cada um

Uma das definições da palavra peso é "tudo que carrega, oprime, incomoda, cansa ou molesta". Então, o "fardo de cada um" é o peso que o ego carrega durante milenios de existência do homem no planeta Terra. Situação que revela em seus bastidores as origens da dor e do sofrimento decorrentes do fato de negligenciarmos o autoconhecimento como forma de promover os valores ligados à alma, que passam pelo self junguiano e pelo desenvolvimento do ser integral da visão holística e reencarnacionista da natureza humana.

Desafio que passa por um novo e profundo olhar sobre a educação como sendo um mecanismo consciente, responsável pelo surgimento de energias psíquico-espirituais saudáveis que atuam na interrelação do ser inteligente com o conjunto de experiências que envolve a sua vida.

Portanto, a percepção do momento existencial de cada indivíduo serve como instrumento para avaliar o "peso" de seu ego e, se necessário, promover a lenta depuração da densa energia que o envolve, através do autoconhecimento como refere-se Joanna de Ângelis pela psicografia de Divaldo Pereira Franco: "O ser real é constituído de corpo, mente e espírito. Dessa forma, uma abordagem psicológica para ser verdadeiramente eficaz deve ter uma visão holísitica do ser, tratando de seu corpo (físico e periespíritico), de sua mente (consciente, inconsciente e subconsciente) e de seu espírito imortal que traz consigo uma bagagem de experiências anteriores à presente existência".

Fonte: Somos Todos Um – www.somostodosum.ig.com.br 

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