Crescimento pessoal

27/11/2019 08h00

O Poder dos Circulos Sagrados

O circulo guarda em seu interior um segredo que pode abrir as portas de uma profunda conexão e aceitação de sua história

Por Sol Deva Nita

Pixabay
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O Poder dos Circulos Sagrados

O circulo, além de sua forma geométrica, guarda em seu interior um segredo que, para aqueles que o investigam, pode abrir as portas de uma profunda conexão e aceitação de sua história, sua experiência para criar um novo destino, mais consciente, livre e pleno.

Heráclito dizia que, no circulo, se confundem o início e o fim. As diversas culturas orientais e ocidentais têm honrado o círculo como uma forma sagrada, que representa a perfeição livre de toda dualidade.

Para os budistas, o símbolo mais antigo encontrado na arte foi a Roda do Dharma, que tem como base um círculo separado com oito raios interiores. O centro significa a disciplina, a qual é essencial na pratica da meditação, os raios são a consciência, que sustentam o trabalho espiritual. A Roda do Dharma contém o ensinamento original de Buda Gautama com todas as indicações, princípios e ética para a vida e a liberação do sofrimento.

No Japão, o círculo é chamado Enso, que simboliza a perfeição, a plenitude e a harmonia na filosofia Zen.

Para os hinduístas os Yantras são um mantra visual, uma representação geométrica do divino, uma mandala que significa literalmente “círculo” e permite ao observador ter o poder de alcançar um estado elevado de consciência. Assim, um Yantra Mandala pode ser considerado como uma encarnação geométrica de uma Deidade hindu, envolvida em um círculo sagrado de proteção, que outorga uma consciência desperta a quem o veja e foca sua atenção e concentração aos atributos de qualquer deidade representada.

No mundo andino, o círculo apoia a Chakana, onde estão representados os diferentes estados de consciência, as estações e os degraus de movimentos e valores, com os quais se ensina o bem viver e celebram os tempos de cuidado da terra, plantio, cultivo e colheita.

Para os nativos americanos, existem cerimônias tradicionais como o temazkal, a busca de visão, a dança do Sol e a dança dos espíritos, que honram em torno de um altar circular o ciclo da vida e todas suas manifestações.

Jung estudou profundamente o significado do círculo e das mandalas como portais que conectam o inconsciente com o consciente, como uma poderosa ferramenta de integração no processo de individualização. Ele falava de seus estudos, viagens e experiências porque se enriqueceu profundamente ao pertencer a um seleto grupo de intelectuais de sua época, como Mircea Eliade e Joseph Campbell, ao círculo de Eranos, que foi fundado em 1933 por Olga Fröbe-Kapteyn, uma erudita autodidata nos temas relacionados com teosofia, espiritualismo e orientalismo. A beira do lago Magiore, no cantão de Tesino, na Vila Moscla perto de Ascona, Suiça, celebraram durante seis décadas os encontros, que terminaram em 1988. Em agosto, durante dez intensos dias, se reuniam ali intelectuais de todas as partes do mundo para compartilhar suas investigações e descobertas, sua sabedoria, em suma.

A experiência de um Círculo Sagrado pode nos transformar de formas inimagináveis, simplesmente por estar em um campo eletromagnético e entrar em contato com uma comunidade que te apoia, te impulsiona, te inspira, te ensina e enriquece tua jornada individual, tuas relações, tua criatividade e tua sabedoria. No Círculo renascemos uma e outra vez.

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