Notícia

05/11/2019 20h16

Terror pra assistir bem acordado

Doutor Sono consegue a difícil proeza de conciliar o melhor da obra de Stephen King com o legado do clássico de Kubrick, num terror de tirar o fôlego!

Por Max Bof

Divulgação
Dr sono

Doutor Sono consegue se sair muito bem nesta difícil missão de ser continuação de um clássico

Mexer com filme clássico é sempre complicado, é pisar em território sagrado. Sejam continuações ou remakes de filmes importantes, o resultado quase sempre decepciona, as vezes divide opiniões, como em Blade Runner 2049, mas raramente consegue atender a expectativa. Quando se anunciou a produção de Doutor Sono, continuação direta da história de O Iluminado, não se esperava algo que pudesse sequer tocar o clássico de Stanley Kubrick; mas incrivelmente a obra consegue algo raro: ao mesmo tempo honra a película original e se mantém fiel ao livro continuação de Stephen King (de 2013).

O começo é extremamente nostálgico, mostrando o ainda menino Dan Torrance logo após os terríveis acontecimentos no Overlook, em 1980,  quando ele e sua mãe conseguem sobreviver aos ataques de seu pai, um escritor possuído pelos espíritos malignos do assombrado hotel. Ele precisa aprender a lidar com seu dom, com sua habilidade espiritual, intuitiva ou “Brilho”, “Iluminação”, que lhe dá poderosos poderes psíquicos, mas que também chama a atenção de espíritos e criaturas malignas.

Logo depois ocorre um salto de mais de 30 anos, mostrando o protagonista como um adulto alcoólatra, meio errante, sem encontrar seu lugar no mundo. Após chegar numa cidadezinha, passa a trabalhar como enfermeiro num hospital de pacientes terminais, onde os ajuda a fazer a passagem para o outro plano.

O ápice do horror acontece quando passamos a acompanhar a ação da terrível Rose e seus seguidores, uma espécie de grupo de vampiros de almas, que se alimentam do “Brilho” destas crianças especiais, buscando viver o máximo de tempo possível, numa busca de imortalidade.

Ao mesmo tempo, Dan começa a se comunicar telepaticamente com Abra, uma menina que tem um nível descomunal do “Brilho” e que acaba atraindo os olhos famintos de Rose, que vai tentar de todas as formas chegar até ela, que irá precisar da ajuda de Dan para enfrentar o poderoso grupo.

Em mais de 2 horas e meia, o diretor Mike Flanagan (de A Maldição da Residência Hill, Ouija, entre outros filmes de terror) equilibra muito bem os elementos do gênero, sem desbancar para o festival de sustos bestas da maioria das produções, conseguindo um resultado notável, tanto visualmente, quanto narrativamente. As atuações da excelente Rebecca Ferguson, da menina estreante Kyliegh Curran e de Ewan McGregor garantem um bom ritmo para a assustadora trama; mas a trilha sonora é o verdadeiro show a parte, nos fazendo mergulhar de cabeça no clima do clássico de 1980.

Doutor Sono consegue se sair muito bem nesta difícil missão de ser continuação de um clássico, sendo uma das melhores adaptações de obras de King dos últimos anos, inclusive superior ao recém lançado IT – A Coisa.

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