Crescimento pessoal

16/05/2019 08h00

Breves Fundamentos Filosóficos da Arteterapia

A Arteterapia busca a orientação do indivíduo no seu processo de desenvolvimento pessoal e superação de conflitos.

Por Janice Jandrey dos Santos

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Breves Fundamentos Filosóficos da Arteterapia

A Arteterapia caracteriza-se sob uma base conotativa que se refere à uma tal prática que considera a Arte, enquanto algo em si, como base do processo vivencial do indivíduo. E que esse “algo em si” da Arte, ou o espírito da Arte, mediando os potenciais das proporções referentes ao Consciente e Inconsciente do indivíduo, poderá favorecer o autoconhecimento do mesmo, sendo que isso por si só poderá ser considerado terapêutico.  Pois o seu contrário - a incompreensão do ser por parte do ser ele mesmo, pode-se deduzir, que é um dos principais fatores que provoca, os conflitos e patologias em suas relações vivenciais. Se a existência é praticamente imersa em mistérios e que esses mistérios nos envolvem, e nos desacomodam o tempo todo, - um exercício permanente de construção e reconstrução do indivíduo, tanto em sua conotação de totalidade intrínseca quanto extrínseca, resulta em ações, por assim dizer terapêuticas, pois o Entendimento da Existência, como um todo, se baseia em tão somente tentativas de decifrar eventos fenomênicos não declarados em sua essência.

 De modo particular, a modalidade terapêutica Arteterapia tem como princípios e objetivos a possível orientação do indivíduo, no seu processo de desenvolvimento pessoal e eventual superação de conflitos ou patologias. Para tanto, faz uso de diversas técnicas de caráter expressivo tais como: arte literária (poesias, contos...). Filosofia (pensamento reflexivo – analógico/pensamento “linear superficial”). Trabalha com Pintura, desenho, música, modelagem, colagem, mímica, tecelagem, escultura, expressão corporal como um todo, e tantas outras. Pode ser trabalhada nos formatos individual ou em grupo.

Esse tipo de trabalho vislumbra apontar caminhos para que o indivíduo enquanto parte ativa e positiva para com a Existência e Natureza como um todo, assuma de fato a sua vida, em princípio, de modo individual construindo-se, permanentemente, como um “artista de si mesmo” em processo de desenvolvimento de seu dom maior, a própria vida. Ou seja, assumir verdadeiramente sua própria existência de modo positivo para o bem dele mesmo para o bem do outro semelhante e, sucessivamente, para com o universo. Visto que as ações dos indivíduos reverberam, permanentemente, sob os “malabarismos do inconsciente” representando a sua maior parte, ou o principal potencial responsável, pelas funções do comportamento desse sujeito. Compartimento, esse, por demais complexo onde se associam e se dissociam tais funções relativas. Se harmonizam ao mesmo tempo que, por outro lado, entram em conflito sob o comando inconciliável das memórias do passado, reflexões e fixações acerca do presente, além de projeções relativas ao futuro. Tais representações figurativas pode - se constatar, por analogia às relativas funções mentais, - que se pronunciam por ocasião do sono, no caso da mente em estado de repouso e em vigília, por ocasião da mente em estado alerta. Pode-se considerar, a partir dessa reflexão, que tal qual nos sonhos pelo indivíduo em estado de repouso e acordado em estado de vigília a mente funciona de modo semelhante. Sendo assim o “pensamento linear” o que pode ser considerado enquanto “não-arte”- por motivo de convenção instituída - representa tão somente uma pequena parcela de regulamentação prática formulada no compartimento mental e expressivo, por cada indivíduo para fins de comunicação social. De modo que a Linguagem e decorrente expressão da mesma, é basicamente, em sua estrutura, um composto elaborado “artesanalmente ou artisticamente” gerando o tempo todo resultados dinâmicos criativos em Linguagem Conotativa.  E a Linguagem Denotativa, “linear” em sua expressão, representa não muito mais do que o resultado artificioso provocado pelo “espírito da Arte” conduzindo a mensagem pelo trânsito formulado pelo pensar elaborado da conotação universal e universalíssima – fenômeno esse, significando o potencial predisponente evidenciado em cada indivíduo ao se desenvolver. Essa digressão lembra Aristóteles em Poética onde destaca o potencial da Fábula no constructo do pensamento e expressão dos indivíduos. E  recentemente, faz referência à uma autora chamada Nancy Huston em sua obra A Espécie Fabuladora – um breve estudo sobre a humanidade, onde afirma: “ O cérebro humano é uma máquina fabulosa cujos produtos fabulares nos predispõem, constantemente, tanto para o bem quanto para o mal.”(p.90, 1975)

E na sequência elegemos o filósofo Hegel para ilustrar ainda mais o que gostaríamos de defender: “A apreciação das belezas naturais tais como a bela árvore, o belo céu, que se apresentam por si só na natureza, necessitam da interferência do espírito da arte gerando o belo artístico que de tal modo sobressaia ou amplie o belo natural, como que esse espírito tivesse a capacidade de ampliar ou desvelar os meandros e domínios limitantes apresentados através da aparência natural dos objetos. De modo que qualquer ideia que interfira sobre o objeto natural decorre da capacidade do espírito da arte, tornando os dados superiores enquanto belo artístico. Exemplo, o belo natural, o Sol, deparamos com um momento absoluto, essencial na existência – na organização da natureza – desse modo excluímos sua beleza restringindo o potencial à sua necessidade. No caso, o espírito que engendra o Belo artístico, sua elaboração enquanto produto desse espírito, é considerado superior à natureza enquanto necessidade”.

Ou seja, tanto a Natureza como um todo e o indivíduo enquanto parte desse todo - ao mesmo tempo que é  único ou Uno(Hollon)- sabendo, ou não, faz Arte o tempo todo.

 

BIBLIOGRAFIA:

  1. A Espécie Fabuladora. Nancy Huston; trad.Ilana Heineberg – Porto Alegre,RS: LPM,2010.
  2. Arteterapia em diversos contextos/Janice Jandrey e outros. Novo Hamburgo, RS: Feevale, 2011.
  3. Estética ( A Ideia e o Ideal )- Coleção Os Pensadores: Abril Cultural, 1974.
  4. Poética. Aristóteles- Coleção Os Pensadores: Abril Cultural,1974.
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