Bem-estar

11/03/2014 17h02

Afinal, quem quer a Copa?

Queremos saber o que você pensa sobre o mundial de 2014 no Brasil

Por Nosso Bem Estar

DAMKIER MEDIA/ ISTOCKPHOTO/ NBE
082 damkier media istockphoto nbe

Enquanto uns protestam, outros vibram de emoção pela proximidade dos jogos

As opiniões são muitas. Uns defendem com unhas e dentes: “a Copa do Mundo no Brasil é o incentivo que faltava para o nosso progresso”. Outros saem às ruas entoando seu grito de protesto, que anuncia... “Não vai ter Copa!” Divergências à parte, todos de alguma forma se preocupam com as condições de nosso país para receber tamanho contingente de visitantes. Enquanto os esforços para conclusão das obras se aceleram, as reivindicações da população brasileira continuam, e milhares de pessoas têm saído às ruas para manifestar sua indignação.

Esta será a segunda edição do principal evento internacional de futebol em território nacional. O Brasil se tornará o quinto país a sediar duas edições, juntando-se com México, Itália, França e Alemanha, após 64 anos desde a Copa de 1950. A escolha do Brasil como anfitrião ocorreu após alteração do regulamento da FIFA no ano de 2000, estabelecendo um rodízio entre os continentes que abrigam a competição.

O evento em 2014 terá sedes oficiais nas cinco regiões do país, com um total de doze cidades-sede. O que foi visto a cada edição, até a realizada na África do Sul em 2010, foi o aumento vertiginoso de investimentos em infra-estrutura e tecnologias de transmissão por parte dos respectivos países e de grandes investidores, explicado por uma conjuntura de fatores econômicos do seu modelo de negócio.

Mas nem sempre esta “receita” foi sucesso em eventos de grande porte. Segundo o artigo “Investimentos financeiros aplicados à organização da copa do mundo – Lições para o Brasil em 2014”, escrito pelo Grupo de Pesquisas de Futebol e Futsal (GEPEFFS) da Universidade de São Paulo (USP), os fracassos registrados ao longo da história podem ser explicados por problemas em três pontos principais:

- Capacidade de endividamento do governo (ou seja, o país-sede deve conseguir aportar o volume de gastos sem riscos à sua soberania econômica)

- Não cumprimento do planejamento inicial dos investimentos (ou seja, precisar gastar mais do que previsto)

- Subutilização de grandes obras (como estádios, praças de eventos, centrais de informação, etc.) para eventos futuros

Qual a sua opinião?

A alguns meses do grande evento, queremos lançar para você esta pergunta: qual o seu ponto de vista sobre a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil? Para embasar a sua reflexão, reunimos aqui alguns argumentos importantes...

Depois de ler, responda nossa enquete no final da matéria!

De um lado...

A promoção de mega eventos esportivos tem sido a estratégia de diversos países para atrair a atenção internacional. Isso porque eles aceleram o processo de investimento em áreas importantes, que muitas vezes já deveriam ter sido feitos. Além de divertir a população, há um forte aquecimento na economia, que apesar de momentâneo interessa a negociantes de todos os portes.

Vantagens

- Aquecimento da economia pela intensa movimentação dos setores ligados ao turismo
- Obras de infra-estrutura nas cidades que sediarão os jogos e valorização imobiliária
- Melhorias em aeroportos, rodovias e investimentos em segurança
- Crescimento da visibilidade do país no cenário internacional e seus resultados
- Geração de milhares de empregos diretos e indiretos durante os jogos
- Movimentação cultural com inúmeras trocas e encontros entre os mais diversos povos

Do outro…

Os grandes investimentos feitos em eventos deste porte requerem planejamento e previsão de uso futuro da infra-estrutura montada. Senão, quando tudo termina resta um imenso buraco nos cofres públicos... Uma grande conta a pagar, por uma população já carente de recursos para assistência básica.

Desvantagens

- Descontentamento da população com o modelo atual de crescimento econômico
- Situação caótica de setores como transporte, saúde, educação e segurança
- Para atender a demanda do crescente setor imobiliário, famílias estão sendo removidas de suas casas em comunidades próximas aos locais dos jogos
- Superlotação das cidades, consumo acelerado e seus impactos ambientais
- Desvios de recursos públicos em transações para obras da Copa
- Visibilidade negativa para o país no cenário internacional, diante de tantos problemas

População dividida

Em função da nossa história de sucesso com o futebol, o mundo deposita grande expectativa sobre o desempenho do Brasil dentro e fora do campo. A relação dos brasileiros com o futebol é composta de sentimentos fortes como orgulho, poder, idolatria, paixão, torcida, sofrimento, raiva. E à medida que esse grande evento se aproxima, diferentes sentimentos surgem nas mentes e corações de milhões de brasileiros.

De um lado há uma corrente claramente positiva, que olha com esperança o impressionante volume de investimentos previstos para preparar o país. De outro, há quem se preocupe com o enorme desafio de receber um evento deste porte, considerando o impacto e eventual sobrecarga na infra-estrutura e nos serviços públicos, sobretudo nos principais centros urbanos.

Segundo pesquisa de abrangência nacional realizada pelo Ibope Inteligência em 2011, embora uma parcela importante da população estivesse distante ou pouco envolvida com a Copa do Mundo, a maioria se dizia otimista com o fato do Brasil. Foram feitas 2002 entrevistas em 141 municípios brasileiros, revelando também um cenário de desconfiança com relação aos resultados do mega evento.

Diante de todos os investimentos previstos, sobretudo nas diversas áreas de serviço e infra-estrutura, a população está dividida sobre o impacto dessas melhorias no seu dia-a-dia após a Copa. Uma parte acredita que tais investimentos vão trazer benefícios para sua vida. Outra, bastante proporcional, afirma que os investimentos não farão a menor diferença para elas.

Quem sai ganhando?

Este é o panorama geral, mas existem alguns casos mais ou menos críticos. Um exemplo é a percepção sobre o transporte aéreo: 39% disseram acreditar que as melhorias devem ajudar. Já 50% desacreditavam em qualquer mudança após a Copa de 2014. Uma parcela de 17% da população acredita que o trânsito após a Copa deve piorar ainda mais.

Na percepção da população, o Governo Federal será o principal beneficiado com a realização do evento, seguido de empresários do turismo e redes hoteleiras. Depois são apontadas as prefeituras das cidades-sede, governos estaduais, comerciantes em geral, empresários da construção civil, times de futebol, CBF, FIFA, entre outros.

Nesta lista, os menos citados foram os empresários da indústria, os pobres e os meios de comunicação. Por outro lado, os mais prejudicados com o evento serão os segmentos mais pobres da sociedade, população em geral e moradores das cidades-sede.

Não, eu não vou para a Copa!

Cansada de ouvir... “Ah, você é do Brasil? Então você vai para a Copa?!”, uma brasileira que vive no exterior resolveu se pronunciar em rede mundial. Confira no vídeo abaixo os questionamentos que têm movimentado a opinião pública em várias partes do globo.

Você pode ir à Copa se...

Diante da repercussão global do seu primeiro vídeo, Carla Dauden resolveu ir adiante nas reflexões sobre a realização do Mundial de Futebol em nosso país. Ela reuniu uma série de questões que precisam ser fiscalizadas antes, durante e depois dos jogos. Na opinião dela, tudo bem você ir à Copa, desde que...

)

Tá chegando a hora!

Enquanto nós estamos aqui refletindo sobre as vantagens e desvantagens de se realizar uma Copa do Mundo em nosso país, uma coisa é fato: os jogos estão confirmados, e logo logo nossas cidades começarão a receber visitantes de todo o planeta! Como brasileiro é louco por futebol, na cabeça e no coração de boa parte das pessoas a bandeira verde-amarela já está erguida, a torcida antecipada está nas ruas esperando ansiosa pelo primeiro grito de “gol”! Se quiser ir entrando no clima, dá uma olhada nas imagens desse vídeo...

Quem paga a conta?

Em 2007 o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, declarou que os preparativos para a Copa custariam em torno de R$ 10 bilhões. Hoje o valor total previsto já ultrapassa os R$ 25 bilhões, o equivalente ao total de recursos investidos nas últimas três Copas do Mundo. Mais de 60% desse dinheiro sai dos cofres públicos do país.

Segundo dados do Portal de Transparência da Corregedoria Geral da União, a verba destinada ao financiamento público de reformas e construções de estádios supera a dos investimentos em educação em 9 das 12 cidades que sediarão os jogos. Apenas Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo receberam mais verba para ensino.

Transparência

Com tanto dinheiro em jogo, é preciso estar atento às cifras que saem do bolso dos cidadãos contribuintes. Para isso, o Instituto Ethos criou o projeto “Jogos limpos dentro e fora dos estádios”, que visa a combater a corrupção na organização tanto da Copa do Mundo como dos Jogos Olímpicos.

O objetivo é fiscalizar as ações do governo federal e divulgar informações para o público através do site www.jogoslimpos.org.br. Você também pode conferir os valores relativos a investimentos na Copa do Mundo no site www.portaltransparencia.gov.br/copa2014.

E você, já tem uma opinião sobre a realização da Copa do Mundo de Futebol no nosso país? Então responde aí!

Create your free online surveys with SurveyMonkey , the world's leading questionnaire tool.

Fontes: Redação Nosso Bem Estar, Ibope - www.ibope.com.br, Site oficial da Copa - http://pt.fifa.com/worldcup, Todos pela Educação - www.todospelaeducacao.org.br, Portal da Transparência - www.portaltransparencia.gov.br - Projeto Jogos Limpos - www.jogoslimpos.org.br

X