Saúde Integral

05/03/2014 15h26

Conheça as funções terapêuticas das plantas

Medicamentos poderosíssimos podem ser encontrados na natureza

Por Nosso Bem Estar

TATIANA MIRONENKO/ ISTOCKPHOTO/ NBE
Fitoterapia

Com uma pequena horta você pode preparar seus próprios remédios

Quem nunca ouviu de uma avó, uma tia ou outra pessoa mais velha... “Toma um chazinho, meu filho, que logo passa”? A sabedoria popular tem transmitido, há milênios, conhecimentos sobre os poderes terapêuticos de alguns elementos que podemos encontrar facilmente na natureza. Mas, de geração em geração, num mundo cheio de artificialidades (e também por interesse das indústrias farmacêuticas e do sistema médico-hospitalar), muitas informações foram se perdendo.

Hoje conhecido como Fitoterapia, o uso medicinal das plantas é uma ciência antiga, usada na prática cotidiana. Os remédios caseiros, como chás, xaropes, compressas, tinturas e outros, são elaborados com base no uso e em ensinamentos tradicionais sobre as propriedades benéficas de cada espécie, que são resgatados através de estudos levando em conta a cultura de cada povo.

O mais importante agora é trazer de volta ao nosso dia-a-dia esta sabedoria ancestral. Com uma pequena horta em casa, você pode ter a mão medicamentos poderosíssimos, capazes de prevenir ou tratar doenças, além de manter em dia a sua energia vital.

Conheça algumas plantas já estudadas que são de fácil cultivo e grandes aliadas para a saúde integral:

Alcachofra

Repõe sais minerais no organismo, é digestiva, hepática, depurativa, diurética, elimina o ácido úrico e aumenta a secreção biliar. Boa para tratar febre, reumatismo e faz baixar a pressão arterial. Cuidados: É melhor evitá-la durante a amamentação, pois pode reduzir a lactação e dar sabor amargo ao leite.

Alecrim

Digestiva, estimulante, anti-séptica, adstringente e tônico do coração. Usada no tratamento de debilidades cardíacas, gases, males do fígado, rins e intestinos. Provoca suor. O chá é benéfico contra tosses, asma, coqueluche, gripes e contusões. Em banhos, alivia o reumatismo e cura feridas. Cuidados: Em altas doses pode causar gastrointerite ou nefrite.

Alfazema

Eficaz contra anúria, amenorréia, afecções do fígado e baço. Combate o nervosismo, dor de cabeça e neurose cardíaca. Regula o ciclo menstrual. Pode ser usada no tratamento de parasitas como piolhos.

Boldo-do-chile

É tônico, cura afecções e cálculos do fígado, prisão de ventre, gases intestinais, e melhora a digestão. Dá sono suave, é calmante e antitérmico.

Carqueja

Diurética, digestiva, anti-séptica e desobstruente do fígado. Combate anemia, tosse, fraqueza intestinal, perda de sangue e chagas venéreas ou leprosas. Cura inflamações das vias urinárias, baço, bexiga e rins. Cuidados: Não deve ser usada no período de floração, pois pode conter fungos.

Cavalinha

Cicatrizante, diurética, remineralizante, adstringente. Cuidados: Em grandes quantidades pode causar carência de Vitamina B1 e depósito de silício no fígado.

Hortelã

Digestiva, estimulantes, tônica, vermífuga, anti-séptica e analgésica. Boa no combate ao reumatismo. Com o bagaço pode-se limpar feridas. Cuidados: Em lactantes e crianças o mentol pode dificultar a respiração.

Malva

Calmante dos nervos e dores em geral. Tem virtudes emolientes (amolece ou abranda mucosas irritadas), combate inflamações do estômago, olhos, boca, gengiva, garganta, ouvidos, intestinos, bexiga, rins, pele e genitália. Banhos diminuem inchaços nas pernas e desinfetam feridas. Ajuda a emagrecer sem prejudicar o coração.

Manjericão

Aperiente (abre o apetite), digestivo, vermífugo, conservante natural, anti-séptica e condimentar (tempero). É excitante, tônico, combate gases intestinais e as raízes cozidas servem para estagnar o sangue.

Melissa (erva-cidreira)

Sedativa, boa contra insônia, dores, desmaios, palpitações do coração e resfriados. É digestiva, bactericida, previne afecções no estômago e problemas respiratórios. As folhas secas, se colocadas sobre as pálpebras, aliviam a dor.  Cuidados: Pode baixar demasiadamente a pressão.

Salvia

Digestiva, vermífuga, analgésica, anti-séptica e condimentar. O chá quente é bom contra gripes, resfriados, febres e dor nos membros. Estimulante dos nervos, aumenta a capacidade intelectual. Alivia cólicas menstruais, deficiências cardíacas, debilidade sexual, fortalece o útero e os ovários. É antiabortiva, reguladora da tensão arterial, tem ação sobre o pâncreas em caso de diabete. Fumando as folhas secas cura tosse asmática. Esfregando as folhas branqueia os dentes e fortalece as gengivas. Com seu suco podem ser feitas pomadas para úlceras, feridas, varizes e paralisias.

Tansagem

Antiinflamatória, bactericida, expectorante, adstringente, com sementes laxativas. Boa no tratamento de otites, conjuntivites, amigdalites, faringites e hemorróidas. Seu chá ajuda a curar feridas, doenças da pele, crosta na cabeça e até câncer. Benéfica contra incontinência urinária, diarréias, cólicas, febres intestinais, problemas nos ovários e bexiga. É desintoxicante e auxilia os fumantes a abandonarem o vício. Combate tosse, asma e tuberculose. As raízes são tônicas.

Como coletar e preparar as plantas

- Identificar bem a planta e escolher aquelas que estão em melhor estado: as melhores folhas são as adultas e verdes. Evite as escuras ou com bolor.

- As sementes devem estar maduras e secas. Já madeiras, cascas e raízes devem ser colhidas preferencialmente fora do tempo de crescimento ou de circulação da seiva.

- Remédios caseiros podem ser preparados com ervas verdes ou secas. As plantas secas precisam de mais tempo de infusão do que as verdes.

- Para secar e guardar, as ervas devem ser colhidas a partir das 9h da manhã, para não ficarem úmidas com o orvalho. Após recolher, cubra para secar em local limpo e ventilado, na sombra. Depois de secas, guarde em vidros fechados e rotulados.

- Somente as plantas que têm folhas secas e caules duros devem ser fervidas. O tempo de fervura varia de 5 a 30 minutos.

- As folhas macias, finas e verdes não devem ser fervidas. Coloca-se água fervente sobre elas, tampa-se e deixa-se em descanso, por 10 a 15 minutos. Depois disso, o chá está pronto para ser tomado, conforme a receita.

Na dose certa

- Para chás a medida usual é de: 20 gramas de erva verde por litro de água ou 10 gramas de erva seca para um litro de água. Uma colherada de erva seca pesa 2 gramas. Uma colherada de erva verde pesa aproximadamente 5 gramas.

- Para uma aplicação externa, a medida do preparado pode ser maior, o dobro da quantia ou mais.

- Um bom método para se curar com as ervas é começar com uma dose fraca e ir aumentando gradualmente até atingir dez dias. E, então, diminuir aos poucos a quantia.

- Não é recomendável utilizar por muito tempo chá da mesma erva. Quando necessário, troque por outra com mais ou menos as mesmas funções terapêuticas.

- O processo de cura pelas ervas é mais lento, mais suave e, ao mesmo tempo, mais seguro, pois oferece menores conseqüências ou reações adversas.

- Se fizer algum tratamento por vários dias, não pare de repente. Vá aos poucos acostumando o corpo com uma dose mais fraca. ;)

Fontes: Rede Autossustentável - www.facebook.com/autossustentavel, Livros “A farmácia da natureza” (Irmã Maria Zatta) e “Plantas medicinais” (Irmão Cirilo José), Poderes das Ervas – www.poderesdaservas.wordpress.com

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