Saúde Integral

25/02/2014 16h22

Saúde ou doença? Qual o seu foco?

Medicina avança para uma visão integral do ser humano

Por Luciana Costa, médica

GEM PHOTOGRAPHY/ ISTOCKPHOTO/ NBE
Sa%c3%bade doen%c3%a7a

Evolução tecnológica foi direcionada a diagnósticos e terapêuticas

O processo envolvendo adoecimento e cura tem sido influenciado, através dos tempos, pelos paradigmas que regem a saúde e a doença. Desde o século XVIII com a chegada das indústrias, depois século XIX com o avanço da microbiologia e então no século XX e início XXI, uma preocupação com uso de tecnologias, diagnósticas e terapêuticas medicamentosas e hospitalares, vivemos vastamente no paradigma da doença.

A ciência médica especializou-se em estatísticas de diagnóstico, como por exemplo mega campanhas mundiais de diagnóstico precoce de câncer de mama, mas muito pouco é feito para a promoção da saúde celular para que ela nem se torne um tumor. Temos medicamentos cada vez mais eficazes, mas nem sempre eficientes, em tecnologia capaz de aumentar a sobrevida e quantidade de vida dos indivíduos, na maioria das vezes com perda proporcional da qualidade.

Neste panorama, vivemos atualmente uma maior expectativa de vida da raça humana, mas acompanhada do aumento dos números de doenças previníveis como a obesidade, o diabete melito, a doença cardiovascular e alguns tipos de câncer, além dos números alarmantes de doenças psíquicas como a depressão e a ansiedade.  Em termos de saúde pública, sabemos que gastamos mais com doença nos últimos anos de vida de uma pessoa do que na saúde materna e nos primeiros anos de vida de uma criança.

No entanto, paralelo e instigado exatamente pelo incômodo com este quadro da saúde humana, ainda no final do século XX e mais forte nestes últimos anos, surgiram novos conceitos envolvendo o processo de cuidado como acolhimento, acreditação hospitalar, humanização, cuidado individualizado e integral, dentre outros. São fatores que possuem relação com a subjetividade do sujeito, pois buscam laços entre aqueles que cuidam e os que são cuidados.

A Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, realizada em Ottawa, Canadá, em 1986, definiu a promoção à saúde: como o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo maior participação no controle desse processo. Para atingir um estado de completo bem-estar, os indivíduos e grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente.

Constata-se, no meio científico e acadêmico, o início da discussão voltada para um paradigma ampliado de saúde, atrelado à qualidade de vida. Ainda no final dos anos oitenta a Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como sendo não apenas a ausência de doença, mas um completo estado de bem-estar físico, mental-emocional, espiritual-energético, e socioambiental. Portanto, surge neste momento uma das sementes para o atual paradigma que estamos regando e cultivando hoje, que é a promoção da saúde integral dos seres humanos. 

A saúde integral é nosso estado natural e essencial de equilíbrio nos domínios celulares. Ou seja: físico, mental e emocional, energético e espiritual, social, ambiental e também cultural, que dependerá de atitudes diárias, do estilo de vida e da percepção acerca de si próprio, do outro e do ambiente e das formas mais adequadas de se viver.  

Para a manutenção, promoção e resgate deste estado, integram-se à medicina moderna de alto avanço científico-tecnológico métodos diagnósticos e terapêuticos tradicionais, além de uma imensa bagagem de conhecimento de estilos de vida saudáveis de diferentes culturas que atravessam os oceanos pela globalização. Em conclusão, pode-se dizer que o paradigma do cuidado integral para o momento atual da saúde humana é de muito otimismo para as futuras gerações, e que o panorama  epidêmico de doenças crônicas deverá mudar nas próximas décadas para uma total sustentabilidade do ser acompanhando a sustentabilidade do nosso planeta.

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