Notícia

04/10/2017 16h52

Blade Runner 2049 chega assombrando

Continuação do clássico de 1982 não só honra seu original, como o amplia!

Por Max Bof

Divulgação
Blade

Uma continuação a altura do original

Sempre que surge a noticia de refilmagem ou continuação de um clássico, de um filme cultuado, como Blade Runner, chega a dar um frio na espinha, pois mexer em terreno “sagrado” sempre cria apreensão entre os cinéfilos, principalmente os adoradores da obra. Analisando as continuações e refilmagens feitas ao longo dos anos, a preocupação procede mesmo, pois as barbeiragens cometidas na maioria delas chegam até mesmo ao total desrespeito com o original.

Não é o caso com o novo Blade Runner. Com a benção e a produção executiva do criador, Ridley Scott, e nas mãos competentíssimas de um dos diretores mais aclamados da atualidade, Dennis Villeneuve (de Incêndios, Sicario e do fantástico Arrival - A Chegada), a continuação, 35 anos depois, vem surpreendentemente bem, complementando a história, ampliando seu universo e discutindo mais a fundo temas que o primeiro apresentou.

A história se passa trinta anos após os eventos do original, quando um novo Blade Runner, o policial K (Ryan Gosling), do Departamento de Polícia de Los Angeles, desenterra um segredo com um potencial devastador para a caótica sociedade. Essa descoberta o leva a uma jornada em busca de Rick Deckard (Harrison Ford), o antigo Blade Runner que está desaparecido há três décadas. Não dá para dizer muito mais do que isso para não trazer nenhum spoiller que estrague o prazer de ir acompanhando as várias camadas e reviravoltas da história.

Uma das questões centrais do filme é a incômoda e difícil missão de definir o que é um ser humano, e o que não é, em face da inteligência artificial absurdamente desenvolvida no universo em que se passa a trama.

O visual é espetacular, ampliando o foco de Los Angeles e nos mostrando o que aconteceu com seu entorno. A trilha sonora ecoa e homenageia a original de Vangelis em muitos momentos, embora soe um pouco histriônica em outros.

A continuação segue na mesma frequência do clássico de 82, o que lhe falta – ainda - é o tempo, que ajudou o original a se transformar em cult. Só o tempo dirá, mas as possibilidades são grandes.

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