Notícia

08/09/2017 11h02

A COISA VEM FORTE

Nova versão de clássico de Stephen King vem fazendo estrondoso sucesso mundial

Por Max Bof

Divulgação
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Obra absolutamente universal e sempre atual do mestre Stephen King

Na pequena cidade de Derry, no estado do Maine, norte dos Estados Unidos, sete integrantes do “Clube dos Perdedores”, movidos pelo sumiço do irmão de Bill, o líder do grupo, começam a investigar o desaparecimento de crianças na região. Em sua busca, acabam topando com o sinistro palhaço Pennywise, na verdade uma entidade que se abastece de medo, tomando a forma daquilo que mais assusta suas vítimas, seus mais profundos traumas e temores.

A história é um clássico do mestre do horror Stephen King, de 1986, uma de suas obras mais complexas e magníficas, com mais de 1000 páginas. Nela acompanhamos de forma paralela, tanto a aventura das crianças, como o retorno delas já adultas 27 anos depois para combater novamente o monstro.

Um telefilme dos anos 90 tentou apresentar o livro na forma original, completo, com relativo sucesso, embora sem conseguir alcançar em nenhum momento o horror da obra original de King. O filme atual optou em apenas contar o primeiro embate, na infância e deixar para depois, para um segundo filme, de forma separada, o confronto final. Essa estratégia, embora compreensível em razão do tempo que demandaria a façanha de narrar tudo – um filme com 4 horas talvez – acaba destruindo a estrutura original da obra-prima de King, que é na verdade a sua alma, ao ir mostrando de forma magistral, em paralelo, cada personagem na infância e na vida adulta, onde vemos os efeitos de todo o trauma ocorrido anteriormente na sua forma de ser e encarar o mundo.

Porém, apesar do roteiro linear, mais simplificado, existem muitos méritos no filme atual, principalmente na ótima relação entre os medos e dramas de cada um dos personagens – bullying, hipocondria, abuso paterno, racismo, etc – e o ataque sobrenatural sofrido por cada um deles, em cenas bem fiéis a obra original. Outro ponto de destaque é o excelente e carismático elenco infantil, que ajuda o filme a funcionar bastante bem.

Por outro lado, a caracterização desta parte da história nos anos 80 soa um pouco forçada, parecendo querer pegar uma carona no clima do seriado Stranger Things, mega sucesso da Netflix. Melhor seria ter mantido a narrativa no final dos anos 50 e o retorno dos adultos nos anos 80, como no livro. Mas tudo bem, o filme atual, mesmo com alguns defeitos, vale a pena ser visto, para colocar toda uma nova geração em contato com esta obra absolutamente universal e sempre atual do mestre Stephen King, que sabe explorar como poucos não apenas o terror externo, físico, mas o horror interior ao que o ser humano pode ser submetido, ainda mais no complicado período da infância e adolescência. E a julgar pelo estrondoso sucesso de bilheteria e repercussão que o filme vem tendo, dá para avaliar que ele conseguiu atingir seu objetivo. Resta esperar a continuação agora, prometida para o ano que vem.

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