Planeta

06/09/2017 06h30

H2O e o que mais?

A água é um dos elementos essenciais à vida, entretanto, nosso estilo de vida e consumo coloca em risco sua qualidade e nossa saúde.

Por Raquel Rau

Pixabay
M24 beber agua semana27

Agir em prol da não contaminação da água é essencial

Um dos principais problemas da modernidade é a crescente contaminação da água. As pessoas utilizam a água não apenas para beber, mas também para se desfazer de todo tipo de material e sujeira, contaminando as águas. Quando essa vai para rios e mares, as substâncias que elas transportam se acumulam e aumentam a contaminação geral das águas. Isto traz graves riscos para a saúde humana e para outros seres vivos.

O aumento populacional e o estilo de vida corrente aumentaram os níveis de metais pesados no sistema hídrico natural. Esses metais são provenientes de atividades como a mineração, indústrias de galvanoplastia e do despejo de efluentes domésticos nos mananciais de água. A principal fonte de contaminação dos rios é a indústria, com seus despejos de resíduos ricos em metais pesados.

A química Líria Alves, explica que as indústrias de tintas, de cloro, de plásticos PVC e as metalúrgicas, utilizam em seus processos metais pesados como o mercúrio, chumbo, cádmio, arsênico, bário, cobre, cromo e zinco, que quando lançados irregularmente nos esgotos, contaminam os cursos de água.

Outra fonte desses contaminantes é a incineração de lixo urbano, que produzem fumaça rica em metais como mercúrio, cádmio e chumbo, que se volatilizam lançando metal pesado a longas distâncias. Mais cedo ou mais tarde, esses metais retornam ao solo e aos cursos d’água.

Líria Alves ainda destaca que do ponto de vista químico, a grave consequência parece não ter solução, já que esses metais não podem ser destruídos e são altamente reativos. E, a cada dia se fazem mais presentes em nossas vidas, em aparelhos eletrodomésticos ou eletroeletrônicos e seus componentes, inclusive pilhas, baterias e produtos magnetizados. Mercúrio, chumbo, cádmio, manganês e níquel são alguns dos metais pesados presentes nesses aparelhos. O chumbo é usado na soldagem de computadores, e o mercúrio está no visor de celulares.

Neste sentido, a separação correta e eficiente do lixo, que vai além de separar “secos e resíduos orgânicos”, exige trabalho, dedicação e constância. A categorização da separação é ampla e exige um artigo à parte, mas cabe relembrar que pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes são altamente contaminantes dos solos e das águas e exigem um descarte especial.

O contato com estas substâncias – seja através da ingestão da água ou de peixes contaminados – pode provocar sérios problemas, como disfunções do sistema nervoso e aumento da incidência de câncer. Moradores de áreas contaminadas devem ser acompanhados por um longo tempo, uma vez que os sintomas destas doenças podem levar décadas para aparecer.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição de Resíduos Especiais (ABETRE), dos 2,9 milhões de toneladas de resíduos industriais perigosos gerados anualmente no Brasil, cerca de 600 mil toneladas recebem tratamento adequado. O restante é depositado em lixões.

Os problemas gerados pelos metais são inúmeros. Além de prejudicar o meio ambiente, esses elementos influenciam negativamente na vida humana. As principais fontes de exposição a esses metais são os alimentos e a água. Dessa forma, é cada vez maior o número de pessoas infectadas com doenças e problemas provenientes desses elementos.

Os mais graves contaminadores são:

- Contaminadores orgânicos: são biodegradáveis e provêm da agricultura como adubos e restos de seres vivos e das atividades domésticas como papel, excrementos e sabões. Se acumulados em excesso, produzem a eutrofização das águas (excesso de nutrientes numa massa de água, provocando um aumento excessivo de algas e decorrente queda de Oxigênio).

- Contaminadores biológicos: são todos aqueles microrganismos capazes de provocar doenças. A água é contaminada pelos excrementos de doentes e a doença é disseminada quando consumida.

- Contaminadores químicos: os mais perigosos são os resíduos tóxicos, como os pesticidas do tipo DDT (chamados organoclorados), porque eles tendem a se acumular no corpo dos seres vivos. São também perigosos os metais pesados (chumbo, mercúrio) utilizados em certos processos industriais, por se acumularem nos organismos.

- Cloro: embora não possa ser considerado contaminante pois sua função é limpar a água, porém, em contato com contaminadores orgânicos (principalmente vegetais) geram os Trihalometanos – que são agentes cancerígenos.

Assim, pensar e agir em prol da não contaminação da água significa pensar e agir em prol da vida de forma ampla – a saúde da família, dos seres vivos de um modo geral e a própria continuidade de nossa história enquanto humanidade.

Raquel Rau é empresária.

 

“Pensar e agir em prol da não contaminação da água significa pensar e agir em prol da vida de forma ampla – a saúde da família, dos seres vivos de um modo geral e a própria continuidade de nossa história enquanto humanidade.”

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