Bem-estar

20/07/2017 06h30

A nossa casa, o nosso lar

A nossa história pode ser contada pela nossa casa, é como um ir e vir de pensamentos, entre a realidade e o que vivemos, entre a vida cotidiana e os nossos melhores sonhos.

Por Maria Francisca S. Silva Conceição

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M32

Este é o melhor lugar

Vivemos em uma época em que a revolução tecnológica, vidas conectadas por aparelhos celulares e crises econômicas nos ajudam a enxergar a formação de um novo tempo. Esse novo tempo nos leva a perceber que precisamos voltar ao essencial da vida, aos momentos de convivência familiar, com os amigos e colegas de trabalho e que, geralmente, essa convivência acontece em nossas casas. É tempo de repensar a nossa história, nossos relacionamentos pessoais, costumes e cultura. A nossa casa é o lugar onde cada um tem a liberdade de viver do seu jeito, com seu estilo e é através da arquitetura que concretizamos a nossa história em nossa casa. 

A nossa história, que pode ser contada pela nossa casa, é como um ir e voltar de pensamentos, entre a realidade e o que vivemos, entre a vida cotidiana e os melhores sonhos. Vamos relembrando como tudo começou, os lugares que vivemos, viagens que fizemos, pessoas que conhecemos, que se foram e as que se mantém por perto, onde erramos e como aprendemos e, enfim, como mudamos. Como disse Antoine De Saint Exuspery, em seu livro O Pequeno Príncipe: “só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”. E é quando vemos a nossa vida com o coração, que relembramos historias, sentimentos, pessoas, o que vivemos dentro ou fora de casa e assim percebemos que temos histórias e temos muitas, e muitas delas compartilhadas em nosso lar.

Façamos então, da nossa casa um bom lugar, um lar. Para Kevin Lynch, “um bom lugar é aquele que, de alguma maneira, apropria a pessoa e sua cultura, torna-a consciente de sua comunidade, de seu passado, sua rede de vida e o universo de tempo e espaço no qual estão contidos”.

Lynch nos revela que na interação entre pessoa e lugar, seja no ambiente de casa, trabalho ou no meio urbano - cria-se uma história, onde a arquitetura se revela nos elementos básicos desse lugar, como volume, circulação, espaço, luz e cores.

O volume da casa caracteriza-se pelo tamanho e suas dimensões; já a circulação, pela maneira como se dá o fluxo de pessoas, ou seja, a movimentação do lugar. A luz, natural ou artificial, percebida pelo tamanho, forma e localização das aberturas. As cores, cada qual representa sensações diferentes, devem ser usadas conforme o objetivo e atividade do lugar, e o espaço criado através do conjunto desses elementos deve ser um lugar prazeroso de permanecer, estimulante e acolhedor. Os elementos básicos são aplicados de acordo com as necessidades especificas dos moradores e podem ser revelados nas edificações, arquitetura de interiores e design de móveis.

Quando fazemos do ambiente da nossa casa um lugar com elementos básicos de arquitetura temos o que chamamos de lugar especial, nosso lar, onde os relacionamentos pessoais acontecem. Pesquisas demonstram que um lar pacifico e amoroso afeta positivamente o bem-estar social, emocional e espiritual de um indivíduo. De fato, é no lar que o coração é formado. A atmosfera do ambiente familiar determina o destino de quem mora ali, uma vez que o lar é o sistema central em que ocorre o desenvolvimento humano e o crescimento positivo, necessários para cada pessoa que mora naquele lugar.

A capacidade de um lugar fazer alguém se sentir bem, é a integração entre os relacionamentos pessoais e o ambiente. A diferença entre um ambiente apenas ambiente e um ambiente com arquitetura, é que esse lugar é especial, emoldura, articula, estrutura, dá importância, relaciona, separa e une, facilita e proíbe. A integração das histórias pessoais com o lar criada com arquitetura pode ser descrita de uma forma simples e peculiar, ou seja, um lugar único, de cada casa, de cada lar. 

Um lugar com arquitetura baseia-se no reconhecimento total dos costumes e cultura, a especificidade do local, a diversidade de histórias e os relacionamentos pessoais. E essa diversidade de estilos é uma consequência natural da multiplicidade das nossas necessidades interiores. Como Stendhal, escritor francês dizia: “Existem tantos estilos de beleza quanto visões de felicidade”. E nossas escolhas fazem a nossa história, definem o lugar que queremos ficar, a casa que vamos morar e o lar que iremos formar. A arquitetura inicia a história, direciona e organiza.

Assim, o sucesso do arquiteto pode ser verificado por meio de sua capacidade de integrar você com sua casa, lhe proporcionando uma profunda qualidade de ambiente. A arquitetura busca essa integração, entre você, sua historia e sua casa, aliada à técnica, aos materiais e revestimentos, a funcionalidade, a característica do lugar, necessidades, expectativas e realidade do cliente. É uma mistura constante de ideias e um diálogo continuo do cliente com arquiteto.

Maria Francisca é Arquiteta

 

“Pesquisas demonstram que um lar pacifico e amoroso afeta positivamente o bem-estar social, emocional e espiritual de um indivíduo”.

 

“O sucesso do arquiteto pode ser verificado por meio de sua capacidade de integrar você com sua casa, lhe proporcionando uma profunda qualidade de ambiente.”

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