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14/06/2017 06h30

Jejum Intermitente

Conheça o método de emagrecimento que, embora ainda divida opiniões, pode trazer bons resultados, desde que seja feito com acompanhamento

Por Nosso Bem Estar

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Jejum intermitente - Tire suas dúvidas

Normalmente, comer pequenas porções de três em três horas é considerado o método ideal para emagrecer, além de outras mudanças no estilo de vida, claro. Porém, algumas pessoas tem feito exatamente o contrário: ficam muitas horas sem se alimentar. Conheça o método que tem sido usado para perder peso chamado jejum intermitente.

Como funciona o método

O jejum intermitente é uma prática que ganhou muitos adeptos, incluindo celebridades como a atriz Deborah Secco. Funciona assim: a pessoa fica sem comer por determinados períodos, escolhendo quando irá se alimentar, ao invés de como.  Por exemplo, a pessoa pode ficar até dezesseis horas sem ingerir comida, alimentando-se dentro de oito horas. Nessa suposição, seria permitido almoçar, fazer lanche, jantar e cear até às 20h, mas o jejum duraria até o almoço do dia seguinte.

O jejum intermitente pode ser praticado de diversas formas: todos os dias; dia sim, dia não; uma vez por semana. Sua duração também varia: 12, 16 e até 24 horas sem comer.

O método emagrece?

Costuma-se perceber perda de peso com o jejum intermitente, pois as pessoas fazem menos refeições. Com isso, há menor consumo de calorias. Além disso, há alterações hormonais e consequentemente aceleração do metabolismo, o que facilita a perda de peso.

Segundo um estudo feito em 2014, o método faz as pessoas emagrecerem de 3 a 8% do seu peso corporal em 3 a 24 semanas. Também houve perda de medidas da cintura, em torno de 3 a 7%, incluindo gordura abdominal, que é prejudicial ao organismo. Outra pesquisa mostra também redução de perda de massa muscular, que normalmente não acontece com outras formas de emagrecimento.

Opiniões sobre o método

Para o cardiologista, Bruno Caramelli, não há muitos estudos sobre a prática, por isso não há evidências sólidas que recomendem o jejum. Para ele, o que existe são pesquisas indicando que comer pouco, dentro do limite saudável, pode ser a chave para perder peso e ter vida longa.  “O problema do jejum intermitente não é comer menos em dois dias da semana, mas optar por comportamentos de risco, como fazer a dieta em todos os dias da semana”, afirma Bruno.

Nessa mesma linha, a endocrinologista Cíntia Cercato pensa que ficar muito tempo sem comer não traz benefícios. Para ela, não é bom ficar dias sem se alimentar direito, pois não consumir nutrientes é prejudicial ao organismo. “Ficar sem esses nutrientes, especialmente glicose e carboidratos, nos deixa fracos, sem energia e pode prejudicar a memória. Além disso, o jejum intermitente favorece a desidratação, mesmo que haja consumo de água”.

Já a nutricionista funcional, Maribel Melos, tem uma visão diferente: “Nos últimos 10 anos mais de 60 artigos foram publicados em revistas de impacto internacional relatando os benefícios do jejum intermitente”. Inclusive, o prêmio Nobel de medicina de 2016 foi conferido ao Dr. Yoshinori Ohsumi, que estuda o processo de autofagia – procedimento que analisa o jejum e sua expressão nos genes que regulam a reciclagem de células velhas e malformadas. Esta reciclagem permite o desenvolvimento de células novas, com mais capacidade, e isto se converte em maior longevidade e disposição.     

Entre os benefícios alcançados em estudos feitos em animais e humanos se destacam os seguintes:

- aumento da expectativa de vida, uma vez que estimula substâncias (AMPK, SIRT1, p38 MAPK) relacionadas a produção de novas mitocôndrias (estrutura celular que produz energia)

- maior performance mental e cognitiva, aumentando o estado de atenção, uma vez que estimula a produção de uma substância chamada BDNF que estimula a neurogênese – formação de novos neurônios    
- redução da resistência a insulina, e com isso, perda de gordura visceral e menor risco de doenças cardiovasculares

- redução de colesterol e triglicerídeos

- melhora em doenças auto imunes e quadros de inflamações crônicas

Atualmente, o jejum intermitente tem sido aplicado em atletas de alta performance para melhorar o desempenho físico. Algumas doenças como epilepsia e câncer mostram resultados efetivos quando associados ao jejum.  “Baseado nestes estudos e nestas respostas, o jejum intermitente tem sido aplicado com bons resultados”, afirma Maribel.

Ainda explicando o funcionamento do método, uma grande oxidação de gorduras é observada quando as refeições posteriores ao jejum forem de qualidade. No entanto, o jejum não leva necessariamente a perda de peso na opinião de Maribel: “Infelizmente estes estudos servem de base para o desencadeamento de modas, sem a devida participação de profissionais habilitados.  A primeira vez que ouvi falar sobre jejum intermitente, tive a reação de “sou contra”. Mas após estudar, assistir aulas e palestras sobre o assunto, percebo que é uma conduta que se for bem direcionada, pode trazer benefícios”. E a nutricionista complementa: “o jejum intermitente pode ser útil, mas não se deve praticar durante muitos dias da semana; é preciso fazer uma adaptação gradual, garantir uma alimentação adequada ao longo do dia e principalmente respeitar sempre a individualidade, pois pode ser útil para uns e nocivo para outros”. 

Antes de fazer sozinho o jejum intermitente ou qualquer outra “dieta da moda”, lembre desta regra básica:  qualquer tratamento nutricional sempre deve ser acompanhado por um profissional habilitado.

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