Família

13/06/2017 06h30

O Amigo que nos faz bem

A adoção de pets é o caminho mais sensato para selar esta união!

Por Luiza Zaccer

Pexels | Pixabay
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Do abandono para a adoção

Nem o abandono das ruas é capaz de destruir o amor que os cães e gatos têm a oferecer para as pessoas que desejam ter estes verdadeiros parceiros de quatro patas em casa.

Eles são fofos, peludos, espalham alegria e carinho entre lambidas e abano de rabos. Poucas são as pessoas que não se encantam com os gatos e cachorros, e, apesar de existir uma variedade imensa de raças, existe aquela que é a mais indicada para quem quer ter um companheiro fiel: a “raça de rua”.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o número de cães e gatos abandonados no Brasil é alarmante. Entre aqueles que, um dia, já tiveram uma casa, mas que foram deixados para trás pelos seus tutores, e os que nasceram sem um lar, são, aproximadamente, 30 milhões de animais nas ruas.

Além de ser um problema de saúde pública, já que esses animais, por não receberem cuidados, acabam se tornando vetores de doenças, a grande quantidade de pets abandonados também é contraditória: segundo o IBGE, dos 65 milhões de domicílios no país, 44,3% abrigam, pelo menos, um cachorro, e 17,7%, pelo menos, um gato.  De acordo com uma pesquisa feita em parceria entre o Ibope Inteligência, o Centro de Pesquisa Waltham, autoridade científica em bem-estar e nutrição de pets, e Ricardo Dias, professor da USP, revelou que 90% das pessoas que não têm um animal de estimação desejam, em algum momento, ter um pet em casa.

Então, se há o interesse daqueles que ainda não são tutores em ter um bichinho de estimação em casa por que será que existem tantos animais abandonados nas ruas?

A adoção de pets é um gesto de amor – e você recebe o amor em troca

Existe uma diferença entre o desejo de ter um amigo de quatro patas e querer um determinado cachorro ou gato. Quem está em busca do amor e do carinho dos animais de estimação não vê raça, idade ou condições físicas – e a adoção pode ser o caminho mais gratificante para preencher os dias com todo o companheirismo oferecido pelos pets.

Você já deve ter ouvido aquele ditado que diz que os vira-latas são animais extremamente fiéis, não é mesmo? E isso é a mais pura verdade. A maioria das pessoas que adota um animal abandonado, e que já viveu nas ruas, relata essa fidelidade incondicional. Umas das explicações é a gratidão pela nova vida proporcionada ao bichano. Afinal de contas, os animais não pedem muito, apenas carinho e companhia. Eles, realmente, não fazem distinção entre as pessoas, muitos são companheiros fiéis de andarilhos e moradores de rua, inclusive.

Além disso, os vira-latas são animais guardiões e muito mais dedicados no que diz respeito ao adestramento e aprendizado de alguns truques, já que estão sempre alerta aos comandos do seu novo tutor.

Por que o animal de estimação faz bem para a saúde física e psicológica?

Não faltam pesquisas que comprovem os benefícios de ter um animal de estimação em casa. Um estudo feito pela Universidade Estadual de Nova York, nos Estados Unidos, mostrou que os animais são ótimas companhias para combater o estresse.

Para as crianças, eles podem representar as primeiras referências de amizade e de comprometimento. Além disso, segundo uma pesquisa feita pela Universidade de Wisconsin-Madison, as chances dos pequenos desenvolverem problemas alérgicos, quando há um cachorro ou gato em casa, diminuem 33%. Devido à convivência com os peludos, as crianças desenvolvem um sistema imunológico mais resistente.

Já para os idosos, os bichinhos são companheiros incansáveis, que, diferentemente dos filhos e netos, não têm pressa, estão sempre por perto e distribuem olhares cheios de ternura. Por isso, os pets ajudam a combater males muito frequentes na terceira idade, como a solidão, a ansiedade e a depressão. Essa melhora psicológica se dá porque, na companhia de animais de estimação, nosso organismo passa a produzir mais hormônios, como a ocitocina e a serotonina, responsáveis pela regulação do humor.

Isso sem contar que, mesmo sem querer, um amigo de quatro patas pode ajudar seu tutor a manter a saúde em dia. É isso mesmo: ter um animal de estimação aumenta as chances de emagrecimento. O motivo não é difícil de descobrir. Afinal de contas, quem resiste a um olhar doce, com a coleira na boca pedindo para dar um passeio?

Os benefícios trazidos pelo convívio com os animais de estimação são tão grandes que vários hospitais têm parcerias com ONGs e associações, e permitem que, uma vez por semana, os bichinhos façam visitas aos pacientes internados. Essa interação com os focinhudos é extremamente positiva, e, se ela não ajuda a reduzir o tempo de recuperação dos pacientes, pelo menos, aumenta a qualidade de vida e a sensação de bem-estar daquelas pessoas que passam pela rotina hospitalar desgastante, sem uma previsão de alta.   

A importância da castração ao adotar um animal de estimação

Em um primeiro momento, a castração está ligada ao controle de natalidade de animais de rua, e existem ONGs empenhadas em organizar mutirões para que gatos e cachorros possam ser atendidos gratuitamente. No entanto, se engana quem pensa que a castração deixa de ser uma necessidade depois da adoção. Pelo contrário: ao assumir a responsabilidade sobre o bichinho, você deve castrá-lo.

Isso porque, gatos e cachorros que nasceram e cresceram nas ruas, mas que tiveram a sorte de encontrar um tutor, muitas vezes, acabam mantendo antigos hábitos. Alguns pets podem sair de casa sozinhos para passear e fazer as suas necessidades, por exemplo. O problema é que não há como ter um controle sobre o animal. Ele pode acabar cruzando, o que aumenta ainda mais o número de gatos e cachorros nas ruas.

Mas nem só para evitar o nascimento de mais bichinhos é que a castração é indicada. Ela ainda traz benefícios para a saúde do animal, e reduz, drasticamente, a probabilidade de algumas doenças, como o câncer de mama e a gravidez psicológica.

Os chips de identificação 

A adoção de animais de estimação deve ser feita com consciência e o tutor deve assumir todas as responsabilidades relacionadas ao bichinho. Uma das formas de evitar o reabandono, e, em casos de desaparecimento, poder reencontrar o amigão fujão, é a implantação de chips de identificação.

Essa medida é tão importante que, em Caxias do Sul, virou lei: todo o animal adotado precisa ser microchipado, e as informações referentes à raça, idade aproximada, características físicas, registro de vacinação, nome e endereço do tutor devem ser cadastradas.

Adoção consciente é o caminho para tirar os animais das ruas

A  ideia de ter um animal em casa é tentadora, no entanto, ela precisa ser amadurecida. Não basta apenas ter a boa vontade de adotar. Antes de qualquer coisa, é preciso entender que ter um bichinho demanda uma série de responsabilidades. Além de carinho e amor, ele vai exigir uma disponibilidade financeira mínima, e, também, de tempo – afinal de contas, será preciso passear diariamente, dar banho, levar ao veterinário, brincar, etc.

Para oferecer uma boa alimentação, serviços veterinários e um ambiente saudável, é preciso um investimento financeiro mensal, e ter a consciência de que um animal de estimação, dependendo dos cuidados e de questões genéticas, pode chegar a viver até 20 anos.

Portanto, antes de pensar em si e nos benefícios que um animal de estimação adotado pode trazer para o seu lar, faça o exercício contrário: o pet vai ter qualidade de vida se for adotado por você? Você tem condições de oferecer tudo o que ele precisa para ter uma vida feliz e saudável?

Se as respostas para essas perguntas lhe levar a ter ainda mais vontade de ter um gato ou cachorro, bem-vindo ao maravilhoso mundo da adoção de pets. Você e seu novo amigo de quatro patas terão um caminho de muitas descobertas e uma única garantia: de que o amor e o companheirismo vão sempre estar presentes nessa relação de amizade.  

E então, você tem vontade de adotar ou já teve alguma experiência com pets adotados? Quais foram, em sua opinião, os principais benefícios desse convívio?

Luiza Zaccer é jornalista

 

5 dicas para realizar uma adoção com sucesso

Alexandre Rossi

 

1. Reflexões sobre o perfil da família

Antes de ir a um local para realizar a adoção  e escolher o novo companheiro, é importante refletir sobre o perfil da família, para que o pet possa se adaptar mais facilmente a nova vida. É importante pensar se a família tem um perfil mais agitado, que gosta de passear, sair bastante, ou se é mais caseira. Será que todos poderão se comprometer com os cuidados que se deve ter com um filhote ou seria melhor adotar um adulto? Há cães e gatos com temperamentos perfeitamente adaptáveis às várias rotinas e perfis que as famílias podem ter.

 

2. ONGs e protetores

Ao optar por adotar um cão ou gato, procure ONGs e protetores que desenvolvam um trabalho sério com os animais. Converse, busque informações e visite. Em sua maioria, são pessoas muito comprometidas com a causa animal e prestarão um grande e valioso auxílio.

Vale procurar também o Centro de Controle de Zoonoses de sua cidade, onde muitas vezes são feitos trabalhos importantes de resgate, cuidados e doação de animais de estimação.

3. Orientação

Em caso de dúvida ou insegurança em relação à adoção, não hesite em consultar um profissional especializado em comportamento animal.

Conversar com pessoas que já adotaram e também com aqueles que lidam com proteção animal é uma boa ideia, além dos que trabalham no local escolhido para adoção. Vai ajudar bastante.

 

4. Preparativos

A casa deve ser preparada para a chegada do novo amigo. Se já há pets na família, faça uma introdução cuidadosa, com associações positivas e paciência. Pense nos locais onde ele irá se alimentar, fazer as necessidades e dormir.

E saiba que, mesmo que tudo tenha sido feito da melhor forma, alguns animais podem demorar mais do que outros para se adaptarem e se sentirem à vontade, mas isso não significa que a adoção não dará certo.

Lembre-se que, assim como nós, cada indivíduo tem o seu tempo de adaptação para situações novas. O importante é ter paciência.

 

5. Educação

Seja um adulto ou um filhote, com raça ou sem raça, cão ou gato, educar o novo animal de estimação vai ajudar muito a permitir que a convivência seja sempre bacana. Reforçar os bons comportamentos com recompensas é a melhor maneira de eles saberem o que esperamos deles.

E depois da adoção realizada, com ele já em casa, curta muito os bons momentos com seu novo amigo.

Fonte: Canal do Pet

 

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