Planeta

04/02/2014 14h00

Mobilidade: o que você tem a ver com isso

A qualidade de vida no trânsito depende da nossa mudança de atitude

Por Nosso Bem Estar

CICLO VIVO/ DIVULGAÇÃO/ NBE
Rodovia bicicletas

Alemanha terá uma rodovia exclusiva para ciclistas

Vivemos reclamando do trânsito - como se não fizéssemos parte dele! -, mas será que estamos dispostos a abrir mão de nossos velhos conceitos e acolher uma nova forma de nos relacionar com a mobilidade urbana? Ir e vir são direitos garantidos na Constituição, mas para que a locomoção se dê de maneira saudável todos precisam estar conscientes dos seus papéis. Ao mesmo tempo em que as grandes cidades experimentam uma profunda crise, onde a maior parte do estresse da população está relacionada ao excesso de carros, começam a surgir soluções colaborativas, independentes ou governamentais, que já estão fazendo a diferença na vida de muitas pessoas.

A questão principal é: os centros urbanos foram projetados para os automóveis. A estrutura das vias, em sua maioria, pouco considera outros atores do trânsito como ciclistas, pedestres, cadeirantes... É tempo de reverter esse processo, pensando no bem-estar coletivo. E talvez a medida mais urgente seja diminuir o número de carros nas ruas. Para isso é necessário que todos desenvolvam uma importante habilidade: a cooperação. Grupos de caronas, bicicletas compartilhadas... Hoje as ferramentas de comunicação são muitas, mas todas elas dependem da nossa boa vontade em colaborar. :)

Como agravante temos a situação crítica em que se encontra o transporte coletivo em muitas regiões do país. O valor abusivo das passagens, o baixo salário dos rodoviários, as más condições de tráfego e o número reduzido de linhas (muitas vezes em situações irregulares nas concessões municipais) têm deflagado protestos em todo o Brasil. Para pressionar a criação de medidas que procurem resolver estes problemas, muitas vezes a solução é parar. E aí, na hora da greve, todo mundo só pensa em uma coisa: chegar ao seu destino. Com a opinião pública mobilizada, é nestes momentos que as negociações acabam tomando algum rumo...

Bicicleta! Um carro a menos...

Uma das soluções mais práticas e imediatas para quem quer ter mais qualidade de vida, contribuir para a preservação da natureza e ainda encarar o trânsito com mais leveza é: compre uma bicicleta! Quanto mais pessoas derem essa passo, mais atenção pode ser conquistada para as demandas de infraestrutura necessárias. Para estimular a cultura do ciclismo como meio de transporte, muitos países já estão adotando medidas sensacionais, que podem servir de exemplo para o mundo todo. As propostas vão desde baixar os impostos que taxam as bikes até elaborar um Plano Nacional da Bicicleta. Vale conferir!

Na França, o governo pretende pagar para quem for para o serviço de bicicleta. Em troca de isenções fiscais dadas às empresas, os trabalhadores receberão 21 centavos de euro por quilômetro percorrido. Serão investidos 20 milhões de euros com a medida, mas a expectativa é poupar 5,6 bilhões de euros na área da saúde. A subvenção estará dentro de um programa integral que busca melhorar a circulação dos ciclistas nas cidades, financiando a construção de estacionamentos de bicicletas em zonas estratégicas ou aumentando a segurança para evitar roubos.

Bikes compartilhadas :)

O compartilhamento de bicicletas já não é mais novidade em várias grandes cidades do mundo. Em algumas metrópoles brasileiras, a locação de bikes é promovida pelas prefeituras municipais, em cooperação com empresas de tecnologia que oferecem muitos recursos digitais. Algumas estações usam energia solar e são gerenciadas por comunicação wireless.

Em São Paulo, quatro jovens foram além e criaram o Compartibike, um sistema de bike sharing para condomínios. Para retirar o veículo, o morador vai até a estação, informa o número de seu apartamento com uma senha, e o sistema já desbloqueia o veículo, imediatamente. A bicicleta pode ser usada por tempo indeterminado. Após a utilização, é deixada na estação e os usuários não pagam pelo empréstimo, uma vez que o serviço vem embutido nas taxas de moradia. Leia mais aqui.

Rodovia para ciclistas

Uma rodovia exclusiva para ciclistas, com 60 quilômetros de extensão, será construída em uma das regiões de tráfego mais intenso da Alemanha, que liga Dortmund a Duisburg, dois importantes centros industriais do país europeu. O projeto foi intitulado Radler B-1 e será implantado não só como alternativa de aliviar o trânsito no local, mas também como ferramenta de mitigação de gases poluentes na atmosfera. Leia mais aqui.

Vagão para bikes

Os trens de uma linha férrea em Stuttgart possuem um vagão externo, para que os ciclistas estacionem suas bikes e viajem com maior conforto de um ponto a outro da cidade, pegando a bicicleta no momento do desembarque. Os vagões da parte de fora funcionam como paraciclos, e os usuários não pagam nenhuma taxa adicional pelo serviço. Leia mais aqui.

Passe livre

Uma das soluções de mobilidade urbana mais pleiteadas em todo o mundo é o passe livre para estudantes. No Brasil, muitas comunidades locais estão mobilizadas para garantir este direito, que foi recentemente conquistado em Goiás pelos mais de 98 mil alunos dos níveis fundamental, médio e superior de instituições públicas e privadas. “Todo estudante que paga meio passe agora terá passe livre. O meio passe é pago pelas empresas, a outra metade nós vamos dividir”, promete o governador do estado, Marconi Perillo. Leia mais aqui.

Metrô

Em Pequim, a população já pode pagar suas passagens de metrô com garrafas PET. A princípio, foram instalados postos de troca em apenas duas estações, mas o objetivo é levar a iniciativa a todas as paradas de metrô e também aos pontos de ônibus da capital chinesa. O sistema é composto por máquinas, em que o usuário deposita até 15 garrafas e pode se locomover por todas as oito linhas e 105 estações. Todas as garrafas angariadas no processo são enviadas a uma central de reciclagem. Leia mais aqui.

Caronas inteligentes

A carona é atualmente o componente da mobilidade urbana com maior potencial de crescimento. A estrutura instalada somada à frota de veículos particulares resulta numa capacidade de transporte equivalente ou superior ao transporte público. Ao aumentar a ocupação dos carros através da carona, cresce também a capacidade do viário atual, sem que para isso seja necessário qualquer tipo de investimento público. Os resultados práticos são: ou um carro a menos nas ruas - o que abre espaço no viário para o transporte público - ou um passageiro a menos no transporte público - o que alivia o sistema.

O Brasil está na 57ª posição no ranking mundial de carros por mil habitantes, indicando que o problema do transito não é a quantidade de carros, mas o que fazemos com eles. Ocupar as vias com um passageiro por veículo significa utilizar mal o espaço público. Respeitando os fatores que a promovem (segurança, flexibilidade, e compartilhamento de custos), a carona pode se tornar parte da rotina do cidadão.

Em países como Japão, Inglaterra e Canadá, o “carpool” - como é conhecida a carona mundialmente - é comum e incentivado pelos governos. Isso porque o CO2 proveniente da geração de energia é responsável por boa parte das emissões globais (15% no Brasil), e o trânsito é a questão pública número 1 em muitas cidades grandes. A carona pode, a curto prazo, reduzir a quantidade de carros das ruas e ao mesmo tempo retirar passageiros de ônibus e trens lotados, colaborando como uma das alternativas de mobilidade, seja da origem ao destino ou apenas como parte de seu trajeto.

O movimento de caronas vem se expandindo já há algum tempo em todo o planeta. Sites cooperativos e grupos nas redes sociais são algumas das ferramentas que ajudam a fortalecer essa cultura do bem! Dê uma olhada, veja os comentários e experimente você mesmo dar um voto de confiança e ser um caroneiro... \o/

Vai de carro? Vamos juntos! Clique aqui e conheça um dos muitos grupos que existem no Facebook. ;) 

Tem uma empresa e quer fazer parte de uma rede de incentivo de caronas? Acesse www.caronetas.com.br.

Acompanhe também www.facebook.com/caronetas.caronas.inteligentes.

Fontes: Ciclo Vivo - www.ciclovivo.com.br, Caroneta - www.caronetas.com.br, Cidades Sustentáveis - www.cidadessustentaveis.org.br, El País - www.brasil.elpais.com

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