Notícia

22/12/2016 17h48

De passagem...

A ficção Passageiros mescla ação e romance, com resultado irregular.

Por Max Bof

Divulgação
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Momentos instigantes causados por uma decisão eticamente questionável, mas humanamente compreensível

Passageiros é uma espécie de filme romântico interestelar. Usa uma situação limite e um dilema moral bastante interessante como pano de fundo a um relacionamento um tanto lugar comum da menina rica e intelectual (Jennifer Lawrence) e do mecânico pobre (Chris Pratt) que pela força das circunstâncias acabam se envolvendo.  

Durante uma viagem espacial, Pratt é despertado 90 anos antes do tempo programado, por causa de um mal funcionamento de sua cabine. Passa mais de um ano sozinho na nave até tomar a polêmica decisão (SPOILLER) de acordar uma outra passageira, por quem “se apaixona”. Os dois acabam tendo um conturbado relacionamento, ao mesmo tempo em que descobrem que a nave – e consequentemente as mais de cinco mil pessoas que seguem hibernados - estão correndo um sério risco.

A primeira metade do filme é instigante, conseguindo mesclar tensão e diversão, mesmo com a incômoda sensação fruto da decisão eticamente questionável (mas de certa forma compreensível) do personagem de Pratt. Mas na meia hora final o diretor  Morten Tyldum (do excelente O Jogo da imitação) acaba cedendo ao óbvio e indo pelo caminho mais fácil da ação inverossímel e do final previsível. Uma pena, pois com uma maior dose de ousadia poderia ter tido um destino diferente.

Como ponto alto estão os efeitos especiais (destaque para a cena da perda de gravidade na piscina) e o próprio design da nave, impressionante, além de alguns momento realmente poéticos do par central, como a passagem próximo a um Sol e uma “dança” fora da nave.

Com algum esforço se pode refletir sobre temas importantes como a certeza da morte e o que fazer com o tempo que temos de vida; alias, o título se refere não só a condição de passageiros dos personagens, mas pode ser estendida a situação de todos nós, viajantes nesse globo terrestre, com alguma data indeterminada – mas certa - para finalizar nossa aventura. Como viver esse tempo?

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