Planeta

21/11/2016 10h00

Uma Energia Limpa

A energia proveniente do Sol é uma energia limpa e infinita. Não polui, não degrada o ambiente e é uma boa alternativa para redução de custos. É o futuro garantido para todos.

Por André Zenobini

Arquivo Nosso Bem Estar
Solar

A energia proveniente do Sol é uma energia limpa e infinita!

Fazer uso da energia solar se torna a cada dia uma necessidade no mundo inteiro. Disponível no universo, ela pode ser utilizada sem deixar rastros danosos como as que provêm das hidrelétricas e termoelétricas. Este é o momento propício para governos, iniciativa privada e cidadãos comuns voltarem-se para a Energia Solar Fotovoltaica, cujos painéis podem ser instalados em paredes, telhados ou qualquer superfícies com incidência de luz solar. Isso permite a geração descentralizada de energia, diretamen­te no local onde é consumida. A energia proveniente do Sol é uma energia limpa e infinita!

FONTES DE ENERGIA ELÉTRICA

Nos dias atuais são usados mais frequentemente dois sistemas de geração de energia elétrica. As termoelétricas e as hidrelétricas. As usinas termoelétricas funcionam como uma instalação industrial que gera energia através da queima de combustíveis fósseis, principalmente, o carvão. Um dos principais problemas desse tipo de geração de energia é o alto nível de gases liberado na produção pela queima de combustíveis, contribuindo assim para a poluição do ar e para o aquecimento global.

A energia hidrelétrica é o sistema que faz a captação de energia através da água. A água passa pelas tubulações da usina provocando o movimento das turbinas. Assim, a energia potencial (força da água) se transforma em energia mecânica (movimento das turbinas). Essas turbinas estão conectadas a um gerador que transforma essa energia em energia elétrica.

Mesmo esse tipo de energia vinda de um recurso natural limpo, o peso da água, não está livre dos intensos prejuízos que causam ao meio ambiente. Afinal de contas, as usinas hidrelétricas necessitam inundar grandes áreas para a construção das barragens, destruindo extensas áreas de vegetação, matas, assoreando rios e provocando graves problemas à flora e à fauna.

O Brasil, rico em recursos hídricos, pos­sui a maior geradora de energia através da água do mundo. A Usina de Itaipu possui 20 unidades geradoras que abastecem 16,4% do que é consumido no Brasil e mais de 70% do vizinho Paraguai. No ano passado, ela produziu mais de 85 milhões de megawatts-hora. O suficiente para abastecer a demanda de Portugal por um ano e oito meses.

Mas existem tipos de energia capazes de abastecer a sociedade sem prejudicar o meio ambiente. A solar e a eólica, por exemplo, são energias que se utilizam de fontes naturais, sol e vento, e seus processos de produção não poluem o meio ambiente. Assim, é possível continu­armos utilizando a energia elétrica sem poluir o meio ambiente, apenas mudando a matriz geradora.

ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA

Segundo o engenheiro de produção Luis Maccarini, ativista em prol do meio ambiente e de uma vida mais saudável, “a energia solar é utilizada desde sempre pela humanidade. Ela provém de um reator gigante de fusão nuclear que combina átomos de hidrogênio no interior do Sol. Na natureza, uma árvore, por exemplo, é uma ‘máquina viva’ que, com suas milhares de folhas, atua como pequenos coletores solares, captando a energia luminosa para, através da fotossíntese, retirar o gás carbônico da atmosfera fixando-o na forma de madeira (energia química) no seu tronco”, comenta ele.

A vida humana sempre se utilizou da energia solar. “Quando secamos roupas no varal, também a utilizamos”, lembra ele. Luis Maccarini teve seu primeiro contato com a energia solar fotovoltaica ainda nos tempos de adolescente, por volta de 1978. “Foi na época em que eu era radioamador e lia relatos de colegas que levavam painéis solares nas expedições para fazer comunicação à longa distância em viagens e ilhas, ou locais afas­tados onde não havia rede de eletricidade para alimentar os equipamentos.

Maccarini sempre esteve próximo das energias renováveis. Um dos momentos que recorda é o da crise do petróleo de 1970. “A gasolina para o Fusca da família subiu abruptamente e meu pai chamou atenção para as limitações e a finitude do petróleo. Quando eu tinha apenas 12 anos, ele me presenteou com um catavento marca Kenya, fabricado em Lajeado, que bombeava água em nosso sítio. Eu passava horas subindo e descendo dele. Adaptei um dínamo de bicicleta para acender uma lampadazinha. Foram momentos inesquecíveis que até hoje marcam o meu envolvimento com energias renováveis.

Nos anos 90, a energia solar voltou a bater à porta da família de Luis. “Nessa época, minha família adquiriu um sítio no interior, em Muitos Capões, onde não havia nenhum tipo de eletricidade. Foi quando comprei meu primeiro painel fotovoltaico com 50 watts, que abastecia a ilumi­nação do local”, recorda. Esse painel ele guarda até hoje. “Mostro-o em minhas palestras. E, propositalmente, nunca foi lavado; isso serve para mostrar que somente a chuva é suficiente para fazer a sua manutenção”, garante.

Mas a história do primeiro painel adquirido por Maccarini também é uma prova da falta de incentivo do Brasil à produção de outras fontes de energia. “Esse painel me é especialmente caro por ter sido produzido pela Heliodinâmica, uma empresa brasileira que, por falta de leis de incentivo e proteção do governo, infelizmente não existe mais. Na época, ela dominava toda a cadeia de produção dos painéis, desde a fusão do silício para a confecção das células”, lembra.

“Os painéis fotovoltaicos podem ser instalados em paredes, telhados e quaisquer superfícies com incidência de luz solar e permitem a geração descentralizada de energia, diretamente no ponto onde é prioritariamente consumida. No horário de maior pico de consumo de eletricidade no Rio Grande do Sul, que acontece pelas 14 horas, quando as pessoas retornam do almoço e religam os equipamentos de ar condicionado, há riscos de haver um apagão, por sobrecarga”, explica o engenheiro. A energia solar poderia ser um complemento à energia enviada pela rede elétrica. Com esse apoio o consumo poderia ser diminuído, proporcionando uma alternativa para a redução de custos na conta de luz, a diminuição de riscos.

Além do mais, segundo ele, no Brasil estima-se que 18% da energia gerada se perca nas linhas de transmissão e nos transformadores, desperdício poderia ser evitado. “A energia solar fotovoltaica minimizaria de imediato essas perdas, pois é gerada no local onde está sua maior demanda”, explica ele.

COMO FUNCIONA?

Os painéis fotovoltaicos funcionam a partir do efeito fotoelétrico, observado já no século XIX, mas só explicado em 1905 através dos estudos de Einstein, que em 1921 ga­nhou o Prêmio Nobel por isso. O efeito fotoelétrico consiste na liberação de elétrons (que podem fornecer uma corrente elétrica) em alguns materiais quando são submetidos à radiação luminosa. “A partir desses materiais, em 1954, os Laboratórios Bell, conhecidos pela patente do transistor, construíram o primeiro painel fotovoltaico, então bati­zado de Bateria Solar”, explica Maccarini.

“Inicialmente sem demanda para aplicações práticas, eles tiveram um incremento na sua utilização a partir da corrida espacial, como fonte de energia para os satélites artifi­ciais que começaram a ser lançados na década de 60. Esses painéis são construídos a partir de silício, um semicondutor, (como areia altamente purificada e fundida) que é a substância mais abundante na crosta terrestre. (Apesar de ser o maior produtor de silício do mundo, o Brasil não tem nenhuma empresa que produza este artefato no país!). O fato é que com a produção destes painéis, o Brasil emitiria muito menos gases de efeito estufa do que os maiores produtores, Japão, Alemanha, Espanha e Estados Unidos, pois seriam feitos com eletricidade proveniente na maior parte de hidrelétricas”, afirma ele.

CUSTOS SUPER BARATOS

A energia proveniente do sol é uma energia limpa e infinita, enquanto a estrela brilhar no céu. Mas poucas pessoas possuem acesso ao conhecimento sobre esse tipo de energia e quando têm, acham que é um processo distante. “Acredito que seja apenas uma questão de desconhecimento. No Brasil ainda são praticamente inexistentes exemplos de sistemas fotovoltaicos entre as aplicações da energia solar”, comenta.

Ele ainda faz a diferenciação entre o Brasil e a Alemanha: lá, em 2011, será produzida através de energia solar, por apenas um fabricante, o equivalente à produção de Itaipu. “E isso num país onde a insolação é 40% menor que aqui!”. Sobre os custos de instalação ele explica que estes talvez sejam a forma mais econômica de energia.

“Os painéis foto­voltaicos talvez sejam a forma mais econômica de geração de energia, pois uma vez instalados vão fornecer energia de graça por décadas, e sem necessidade de manutenção. A partir dos painéis que instalamos hoje, da nossa geração até para além dos nossos bisnetos, todos poderão usufruir de energia limpa, confiável e gratuita, em abundância a partir do Sol”, afirma. O mais importante da instalação de um sistema de energia solar está no benefício para a humanidade. Afinal de contas, é um processo limpo e que garante a energia que tanto necessitamos.

DIFERENÇAS INCONTESTÁVEIS

Continua Luiz: “Acredito que as ener­gias limpas, nos apontam o caminho da sustentabilidade. Nas palestras, quando explico sobre os painéis fotovoltaicos, começo com os princípios da Permacultura, do australiano Bill Mollison, que estudando os aborígenes apontou para a importância de basearmos nossa civilização numa forma de vida que permita que nossos descendentes possam viver no mesmo local que habitamos, produzindo sua própria energia e alimentos, com qualidade de vida e sem degradação do ambiente”.

Ainda segundo ele, a maioria do primeiros painéis fotovoltaicos, instalados nos satélites na década de 60, continuam funcionando até hoje. “São bens duráveis, algo cujo referencial temos pouco a pouco perdido na nossa sociedade de consumo, onde a vida média de um celular é de menos de um ano. No padrão atual da indústria fotovoltaica, não são raros painéis com garantia de fabricação para 25 anos”, conclui.

O mais importante é a consciência da população a respeito da proteção do meio ambiente e do consumo responsável de energia elétrica. A sociedade atual precisa começar a pensar no futuro de suas gerações e também proteger a natureza. Muito dos recursos naturais que temos são finitos e precisam ser cuidados e aqueles com uma maior longevidade não podem ser destruídos ou sofrer impactos muito grandes. É preciso cuidar do nosso mundo e um dos meios de fazer isso é com ações pequenas, dentro de casa. Apague a luz quando não tiver ninguém no ambiente, deixe os equipamentos ligados apenas quando estiverem em uso, se não estiverem, tire da tomada. O seu bolso e o planeta agradecem essas ações.

Publicado no jornal O PEIXEIRO

 

X