Família

07/11/2016 09h00

Toxoplasmose

Entenda o que é e conheça os mitos e verdades dessa doença

Por M. V. Alvaro Cezar de Abreu

Arquivo Nosso Bem Estar
Toxo

Apenas 1% dos gatos transmite a toxoplasmose

Toxoplasmose é uma doença infecciosa parasitária congênita ou adquirida, causada por um protozoário chamado Toxoplasma Gondii. Este protozoário é encontrado nas fezes dos gatos e outros felinos. Homens e outros animais também podem hospedar o parasita.

Apenas 1% dos gatos transmite a toxoplasmose. No entanto, eles precisam estar doentes e, principalmente, na fase de eliminação dos oocistos. Geralmente, o gato contrai a toxoplasma quando come carne crua ou mal passada. O felino ainda pode contrair o parasita, se comer insetos, baratas, ratos, lagartixas que contenham cistos do protozoário. É importante saber que é raro contrair a toxoplasmose de gatos. O felino não é a principal fonte de transmissão. O Protozoário tem o ciclo de vida em diversos carnívoros, mas somente no felino ele é capaz de completá-lo e infestar o meio ambiente.

As principais formas de contaminação dos humanos ocorrem pela ingestão de carne crua ou mal passada e pela ingestão de legumes, verduras e frutas mal lavadas.

Em humanos

Geralmente a toxoplasmose é uma doença que passa despercebida. Em alguns casos, porém, em pessoas consideradas saudáveis, os sintomas podem parecer com os da gripe, como dor de cabeçacoriza, dor no corpo, febre, fadiga e dor de garganta.

Já em pacientes com o sistema imunológico debilitado, podem surgir sintomas específicos, como problemas de coordenação, convulsões, confusões, visão turva e, em alguns casos, até mesmo infecções respiratórias, como pneumonia e tuberculose.

Somente uma pequena parte dos bebês que nascem com toxoplasmose demonstram sinais da doença nos primeiros dias de vida. Geralmente, os sintomas só aparecem na adolescência.  

As infecções humanas em sua maioria são assintomáticas. No entanto, a infecção congênita do feto humano, através da transmissão placentária, representa a maior ameaça aos seres humanos. Podem resultar em morte fetal e em abortos no primeiro trimestre de gravidez, ou em deficiências neurológicas e visuais no último trimestre de gravidez.

Nos gatos

As síndromes clínicas mais comuns são : deficiências neurológicas, retinocoroidite, polimiosite, linfadenopatia, hepatite, pancreatite, granuloma intestinal, abortos  e moléstia neonatal.

Cuidados com o gato

- Não o alimente com carne crua ou mal passada

- Limpar a caixa sanitária 2x ao dia

- Desinfete a caixa sanitária e a pá com água fervendo diariamente

- Evite que o gato tenha acesso à rua

- Mantenha o gato vacinado e vermifugado

- Leve seu gatinho frequentemente ao veterinário.

Cuidados gerais

- Lavar as mãos antes de comer ou beber

- Não tomar leite sem antes fervê-lo

- Não tomar água de origem desconhecida

- Não comer carne crua ou mal passada e nem verdura, legumes e frutas mal lavados

- Não comer embutidos não fiscalizados, de procedência duvidosa

- Usar luvas ao limpar a caixa sanitária de gatos

- Usar luvas quando for mexer com jardinagem

Em humanos, o recomendado é fazer prevenção com exames de sangue para identificar se a pessoa tem anticorpos da doença. No caso dos animais a prevenção com tratamento periódico de vermífugos vai evitar que o gato seja contaminado. No felino, são necessários exames complementares para diagnóstico preciso da doença, pois a sintomatologia clínica é semelhante a enfermidades como: Leucemia felina, hepatite, entre outras.

MITOS E VERDADES

Mitos:

- Quando gestante, não ter contato com gatos ou cães;

- Se desfazer do gato;

- Todos felinos transmitem a doença;

- Quando nascer o bebê não pode ter contato com o gato.

Verdades:

- Fazer sorologia para toxoplasmose no seu gato. No caso de positivo o seu gato pode ser tratado.

- Fazer exame de fezes periódico no seu gato. A gestante não deve manusear as fezes do gato suspeito.

- A gestante não deve limpar a caixa de areia, que deve ser trocada diariamente (antes que os oocistos esporulem).

- Cuidado com caixas de areia em playgrounds e no manejo de jardinagem.

- Não permitir que seu gato se alimente de ratos, aves ou carne crua.

- Cuidado com gatos de rua ou de origem desconhecida dentro de casa.

- Lavar as mãos após contato com seu gato ou seus utensílios, ou mesmo após manuseio de carne crua nas atividades domésticas.

Fonte: CRMV/RS

M. V. Alvaro Cezar de Abreu é Médico Veterinário – CRMV/RS 4169

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