Crescimento pessoal

31/10/2016 09h00

O poder do compartilhamento

A milenar Teoria da Cabala fala em dois tipos de desejo: o de receber só para si e o de receber para compartilhar

Por Antônio Saldanha Nunes

Arquivo Nosso Bem Estar
Share

As informações deixadas pelos nossos ancestrais através dos tempos são verdadeiros quebra-cabeças

Se existem indagações que são universais a todos os seres humanos, são estas: Quem somos nós?  De onde viemos?  Qual o propósito da nossa existência?  Para onde vamos?

Esses são os grandes mistérios que compõem a nossa existência. Estes enigmas sempre foram base para a elaboração de teorias e dogmas criados para tentar fundamentar estas respostas. Muitos destes dogmas se prestam para dar suporte a todo tipo de dominação do ser humano, seja ele para obter poder político ou poder religioso nas sociedades, escravizando mentes e nações pela superstição e ignorância.  A intermediação e o monopólio das relações com o Ser Supremo tem sido o principal ponto de desagregação das relações na humanidade.

Nesta viagem milenar onde o desejo e a realização movem a humanidade, os avanços tecnológicos dão suporte para uma alienação de sentimentos básicos. Além disso, a propaganda massificada coloca o TER em sobreposição ao SER.  Na busca frenética pelos bens materiais, os valores espirituais ficam em segundo plano. Precisamos mergulhar nas brumas do tempo, ao buscarmos a essência espiritual e o verdadeiro sentido para os questionamentos que nos afligem.  Acredite! Quanto mais fundo viajarmos neste passado, mais claras ficam as respostas que buscamos.

No entanto, não é simples formar uma convicção. As informações deixadas pelos nossos ancestrais através dos tempos são verdadeiros quebra-cabeças que vamos compondo na busca da nossa VERDADE.  Para não nos alongarmos muito, fiquemos apenas com uma abordagem simples e prática para meditarmos sobre isso, que não precisa de intermediários e nem de dogmas. Apenas de nós mesmos!

No livro intitulado “O Poder de Realização da Cabala”, seu autor, Ian Mecler nos leva a interpretar a denominada “Árvore da Vida”, presente milenarmente nas informações resgatadas pelos arqueólogos, cientistas e pesquisadores. A “Árvore da Vida” é parte ativa no suporte a todas as derivações teológicas que conhecemos hoje. Para o autor, o que nos move é o desejo de receber, seja material ou espiritual.  Eu mesmo sempre questionei se é válido ou decente pedir ajuda ao Ser Supremo para concretizar negócios, aumentar nossas posses materiais, etc..  Ou se estes pedidos e desejos ficariam apenas no aspecto espiritual, ou seja, crescimento espiritual, afastamento de energias negativas, saúde, amor, etc...

Neste contexto, o autor nos traz que temos dois tipos de desejo: o de receber só para si, ou o de receber para compartilhar! E aí está a chave da resposta. Na milenar Teoria da Cabala e da Árvore da Vida!  Se o desejo tem o propósito final de acumular, de reter para si, de despertar inveja, no conceito daqueles que denominamos “avarentos” vamos  somatizar doenças e dificuldades através de um desequilíbrio energético. “Pessoas com muitos desejos, ricas, famosas, bonitas, na maioria das vezes são vazias, infelizes, doentes e isoladas “. Receber só para si, diz o autor, vai contra o propósito original.

A Cabala, dentre outras informações, compõem-se de três colunas: a da esquerda a “Coluna do Receber” e a da Direita a “Coluna do Compartilhar” – esta a característica que nos aproxima do Criador.  A coluna que observamos no meio é a “Coluna da Restrição”, do “Equilíbrio”, que é a pausa entre o receber e o desejo de compartilhar, entre o estímulo e a reação.  Mas porque ”restrição”? Porque precisamos, por exemplo, “restringir” nossos instintos e, na visão do autor, “Liberdade é restrição dos instintos”, pois reações instintivas nos tornam “mais escravos do que livres”.

Enfim, creio que em uma avaliação simples e objetiva, podemos concluir que o grande objetivo no nosso crescimento espiritual é receber e compartilhar. Um empresário pode receber e criar uma empresa compartilhando a geração de riqueza e renda através da interação das forças produtivas.  Outras formas de compartilhar: receber e dar amor, afeto, atenção, etc.. A partir deste compartilhamento, vamos obtendo nosso crescimento espiritual. Desta forma, recebemos e somos preenchidos de luz, buscando a aspiração maior do ser humano que é a perfeição, à imagem e à semelhança do Ser Supremo. Nossa busca é pela verdadeira luz, não no sentido solar, mas energético. E por aí vamos, desbastando a pedra bruta que somos. Além disso, nos tornamos melhores seres com menos relevância no “TER” e mais no “SER”. Ficamos então com duas máximas que nos proporcionam, de forma simples, sem intermediários, a evolução que tanto buscamos, sem os dogmas e as superstições que nos escravizam. Os dois princípios nos tornam instrumentos dominados pelos que buscam o poder político ou religioso para supremacia sobre outros.

O “Receber e o Compartilhar” são as palavras chaves. Com essas atitudes e o domínio dos nossos instintos básicos, caminhamos rumo ao necessário “Amor Incondicional”. Ele é o estado fundamental para o nosso bem-estar espiritual e o atingimento da perfeição!  E para isso que viemos até este plano da matéria: para desbastar as asperezas e imperfeições do espírito! Gradativamente vamos evoluir nesta caminhada infinita. Com certeza estas duas palavras são as chaves que abrem nossos corações e vão polindo nosso espírito para a verdadeira luz evolutiva. Da minha parte é um prazer “compartilhar” esta visão com vocês!

Antônio Saldanha Nunes é economista e consultor de Empresas

X