Família

24/10/2013 09h03

Como estimular as crianças a comerem verduras

Para que os filhos se alimentem bem, muitas vezes é preciso usar artifícos como a boa apresentação e a mescla de sabores

Por Nosso Bem Estar

NAGY-BAGOLY ILONA/ISTOCKPHOTO/NBE
O que fazer para as crian%c3%a7as comerem verduras

Brincar com os alimentos é uma opção para estimular o consumo entre os pequenos

As verduras são alimentos indispensáveis para conseguir um correto equilíbrio nutricional ao longo do ciclo vital, pois aportam minerais, vitaminas e fibras. Daí que é aconselhável consumir um mínimo de duas porções diárias, uma delas crua. Mas muitas pessoas não obedecem a esta recomendação por causas diversas: hábitos, paladar, tempo... E um grupo particularmente se destaca por rechaçar estes alimentos, o das crianças.

Neste caso o sabor é o fator determinante na resistência ao seu consumo, e como este é um período da vida em que as imediatezas perceptivas imperam sobre as racionalidades, é evidente que estamos ante um problema. A introdução de hábitos alimentares saudáveis nesta etapa da vida é essencial e será uma herança das mais importantes que possamos deixar para nossos filhos.

Uma boa maneira de tentar que as crianças comam verduras é brincar, por exemplo, com os sabores, as cores e as formas, melhorando assim as características sensoriais destes alimentos. Vejamos alguns exemplos práticos: 

Potencializar os sabores

Pode-se acrescentar na salada alimentos que elas gostem, como cubos de queijo ou frutos secos, como passas, por exemplo. Outra sugestão é gratinar os espinafres com molho bechamel ou preparar purês cujo sabor fi nal seja suave e ligeiramente doce. Por outro lado, as empanadas, as crepes, os canelones, os croquetes e os pastéis e tortilhas são uma forma excelente e saborosa de oferecer as verduras. Hoje existe uma grande gama de molhos para saladas, com sabores muito diferentes e atrativos, que servem para agregar atração ao paladar.

Cuidar da apresentação

A forma de apresentar a comida é tão importante que um mesmo prato pode nos dar água na boca ou causar aversão. Assim, com imaginação, podemos conseguir que um prato de salada se converta numa cara de palhaço ou numa paisagem. Brincando com as cores e as texturas é possível elaborar pratos de excelentes aparências.

As melhores partes

Alguns conselhos adicionais que também se deve ter em conta é não dar às crianças as folhas externas de algumas verduras – já que, ainda que tenham mais ingredientes, são as que têm um sabor mais forte -, nem as partes mais duras das hortaliças. É melhor ir introduzindo pouco a pouco as verduras na sua alimentação, em função de suas capacidades dentais e mastigatórias. Mas deve-se valorar, de qualquer maneira, a qualidade, dando preferência às verduras frescas, de cultivo biológico e da época. Sem esquecer o que é básico na cozinha: a imaginação. Com ela a rotina e os deveres podem converter-se em surpresas e desejos, uma mudança realmente fundamental para a criação de hábitos alimentares que poderão permanecer por toda a vida.

9 perguntas que convém saber a resposta

1) Existem verduras mais aconselháveis que outras do ponto de vista nutricional?

Não. Os conteúdos em nutrientes das hortaliças são desiguais, já que em algumas se destaca um nutriente, em outras um outro, e em algumas, nenhum. Sem dúvida, o conselho de ouro para um bom consumo é a variedade, insistindo nas que se podem comer cruas – como as cenouras, e os tomates, por exemplo, já que assim sofrem menos processamentos e conseguem conservar maior quantidade de nutrientes. Importante que sejam de procedência orgânica, para evitar a ingestão
de agrotóxicos. 

2) O que fazer para que as crianças comam?

Existem diferentes ações possíveis, como cortá-las em pedacinhos bem pequenos ou ralá-las. Também podemos prepará-las na forma de sucos ou de purês, operações que devem realizar-se
imediatamente antes do consumo. Utilizar frutas é um ótimo recurso, como laranjas e maçãs, por exemplo. O consumo imediato é fundamental para preservar os nutrientes.

3) Existe uma sequência ideal para oferecê-las?

Teoricamente o melhor é sempre oferecer-lhes quando estiverem com fome, o que facilitará a aceitação. Mas em muitas ocasiões o mais inteligente é que comam com outros pratos que são de seu agrado.

4) Pode substituir-se as verduras se se aumenta o consumo de frutas?

Não, já que as frutas têm em geral mais açúcares e menos micronutrientes que as verduras, ainda que os dois grupos tenham composição parecida. Por isso é interessante ingerir ambos, diariamente.

5) Os sucos são um recurso que funciona?

Ainda que os sucos sejam uma excelente forma de consumir hortaliças, não devem converter-se na única, já que a ingestão com a mastigação é fundamental. Mas em caso de aversão sistemática, é
um recurso de grande valor. 

6) Pode compensar-se a ausência de verduras através de suplementos?

Não. Os suplementos devem reservar-se unicamente para casos em que existam verdadeiras  dificuldades de se conseguir todos os nutrientes que se obtém com os alimentos.

7) Há diferenças entre meninos e meninas na hora de comer verduras?

No princípio da puberdade diversas influências podem fazer com que as meninas prefiram as verduras. Durante a infância o sexo não é um fator decisivo.

8) São oferecidas opções com vegetais nas merendas escolares?

Ainda que teoricamente haja nutricionistas na formulação das merendas, o que se constata é uma oferta generalizada de fast foods e guloseimas hipercalóricas nas merendas e cantinas das escolas. Em algumas cidades tal prática já foi proibida, mas várias escolas ainda não cuidam desta educação – alimentar – tão fundamental.

9) É importante que os pais deem o exemplo?

Sim, mais do que possa se imaginar. O fato dos pais comerem verdura não dá garantias que os filhos também o façam, mas se eles dão pouca importância a este tipo de alimento será muito difícil que os filhos o valorizem. Muitos pais optam por recompensar a seus filhos quando comem verduras, mas convém refletir sobre o alcance e oportunidade deste tipo de comportamento. A melhor recompensa é a saúde.

 

Fonte: Jornal Bem Estar

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